Menu
Mundo

Número de deslocados por gangues no Haiti aumentou 60% em três meses

O Haiti sofre com a criminalidade há muito tempo, mas no final de fevereiro grupos armados lançaram ataques coordenados na capital

Redação Jornal de Brasília

18/06/2024 16h19

Haitian migrants are pictured in a makeshift encampment where more than 12,000 people hoping to enter the United States await under the international bridge in Del Rio, Texas on September 21, 2021. – The United Nations expressed deep concern September 21, 2021, at mass deportations of Haitian migrants from the United States, warning they could go against international law. (Photo by PAUL RATJE / AFP)

A quantidade de deslocamentos internos no Haiti aumentou 60% nos últimos três meses devido ao aumento da violência de gangues, em meio a uma grave crise política, social e humanitária, informou a ONU.

Os deslocamentos internos passaram de 362.551 pessoas no início de março para 578.074 atualmente, em uma população de 10 milhões de habitantes, de acordo com a Organização Internacional para as Migrações (OIM) em um publicado nesta terça-feira (18).

“Estes números são diretamente consequência da espiral de violência que atingiu um novo marco em fevereiro”, disse Philippe Branchat, diretor da OIM.

Em menos da metade do ano, o número é quase o mesmo que o total de 2023, estimula o organismo.

“Uma crise interminável no Haiti está forçando mais pessoas a fugir de suas casas e deixar tudo para trás. Isso não é algo que faça levianamente. Além disso, para muitos deles, não é a primeira vez”, acrescentou Branchat.

No Haiti, mergulhado no caos há décadas, um governo recém-formado tenta restaurar a ordem após uma crise prolongada desencadeada pela violência das gangas, especialmente na capital, Porto Príncipe.

O Haiti sofre com a criminalidade há muito tempo, mas no final de fevereiro grupos armados lançaram ataques coordenados na capital, argumentando que queriam derrubar o então primeiro-ministro Ariel Henry.

Henry anunciou no início de março que renunciaria e transferiria o poder para um Conselho de Transição que se supõe que conduza o país à realização de eleições, que não acontecem desde 2016.

O novo primeiro-ministro, Garry Conille, já foi nomeado, assim como um novo gabinete.

Crise humanitária

O aumento no número de haitianos deslocados deve principalmente às pessoas que fogem de Porto Príncipe para outras províncias, que carecem de recursos para atendê-las, de acordo com o relatório.

Na região sul do país, já enfraquecida pelo terremoto de 2021, o número de deslocamentos internos mais que dobrou, passando de 116.000 pessoas para 270.000 nos últimos três meses.

Desde o final de fevereiro, a circulação de materiais como medicamentos e combustíveis entre a capital e as províncias foi severamente limitada, o que agravou ainda mais a crise humanitária, aponta o relatório.

Na área metropolitana de Porto Príncipe, dois terços dos deslocados vivem em acampamentos improvisados ​​com acesso muito limitado a serviços básicos. Atualmente, 39 dos 96 assentamentos ativos abrigam 61.000 pessoas, o que dificulta severamente a assistência escolar.

Segundo a OIM, desde o final de fevereiro foram fornecidos quase 5 milhões de litros de água potável para cerca de 25.000 pessoas, e mais de 37.000 receberam suprimentos de emergência, incluindo cobertores e utensílios de cozinha.

A organização também implantou clínicas móveis para fornecer cuidados médicos a 18.000 pessoas e disponibilizou apoio psicológico, incluindo uma linha telefônica gratuita.

© Agência France-Presse

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado