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Novo premiê britânico, Boris Johnson assume com missão de concluir o Brexit

Johnson derrotou Jeremy Hunt, seu sucessor na chancelaria britânica, obtendo 66% dos votos dos membros da legenda

Por Willian Matos 24/07/2019 1h52
Queen Elizabeth II welcomes Boris Johnson during an audience in Buckingham Palace, where she will officially recognise him as the new Prime Minister, in London, Britain July 24, 2019. Victoria Jones/Pool via REUTERS

O conservador britânico Boris Johnson foi oficializado nesta terça-feira, 23, como novo premiê do Reino Unido, substituindo Theresa May. Ex-prefeito de Londres e ex-chanceler, Johnson é um crítico contumaz da União Europeia e agora terá a tarefa de resolver ele mesmo o pesadelo de conduzir o país pelo Brexit. 

Na disputa interna do Partido Conservador, Johnson derrotou Jeremy Hunt, seu sucessor na chancelaria britânica, obtendo 66% dos votos dos membros da legenda. Os conservadores mantêm uma maioria estreita no Parlamento, mas suficiente para confirmar Johnson como sucessor de May, o que deve ocorrer nesta quarta-feira, 24. 

O ritual britânico determina que May deixe o cargo depois de ir ao Palácio de Buckingham para ver a rainha Elizabeth, que indicará Johnson formalmente antes de ele entrar em Downing Street.

Johnson assume o cargo em um dos momentos mais críticos da história recente do Reino Unido, com a imediata missão de gerenciar a saída da UE em cerca de três meses – o prazo de saída é 31 de outubro. No entanto, seus desvios políticos, a falta de atenção aos detalhes e os pronunciamentos contraditórios deixaram os britânicos em dúvida sobre como o processo transcorrerá. 

O novo premiê já afirmou que a separação da UE ocorrerá com ou sem acordo com Bruxelas. Assim, sua vitória o coloca diante de uma possível crise constitucional, já que os parlamentares britânicos prometeram derrubar qualquer governo que tente tirar o país do bloco sem negociação.

Johnson, de 55 anos, disse que o mantra de sua campanha pela liderança foi “realizar o Brexit, unir o país e derrotar (o líder opositor trabalhista) Jeremy Corbyn – e é isso que faremos”.

“Vocês parecem intimidados? Vocês se sentem intimidados? Não acho que parecem nem remotamente intimidados”, disse Johnson a partidários no centro de conferências Rainha Elizabeth, em frente ao Parlamento. “Concretizaremos o Brexit.”

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O pequeno percurso entre o Parlamento e o palácio, que será feito em breve por ele, será o ápice da carreira de um ex-jornalista, cuja ambição quando criança era se tornar “o rei do mundo”. Johnson chega ao comando do governo após escrever uma biografia de seu herói, Winston Churchill, e de ter ganhado a bênção de Donald Trump.

A fanfarronice e o ar distraído escondem um dom incomum de se comunicar com eleitores, o que fez dele um dos políticos mais conhecidos do país por anos. Mas seu apoio ao Brexit e sua propensão a pronunciamentos que nem sempre se sustentam sob escrutínio o tornaram uma figura polarizadora.

Agora, as atenções se voltam para seu novo gabinete e para os sinais que ele dará sobre se realmente seguirá uma linha dura na conduta do Brexit uma vez no cargo ou abandonará a retórica explosiva para buscar um acordo com a UE.

O Parlamento britânico já rejeitou o plano de saída de May três vezes este ano. A premiê demissionária é contra uma ruptura severa e teme as consequências econômicas no caso de uma saída sem acordo. 

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A turbulência em torno do Brexit tem levantado questões sobre a durabilidade do próprio Reino Unido, renovando conversas sobre a possibilidade da independência da Escócia e sobre a reunificação da Irlanda. (Com agências internacionais).

Estadão Conteúdo






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