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Mundo

Nova Orleans se recupera às vésperas de completar 5 anos do Katrina

Arquivo Geral

28/08/2010 19h59

 

A cidade de Nova Orleans continua sua recuperação econômica apesar da recessão e do vazamento de petróleo no Golfo do México, às vésperas de completar amanhã cinco anos das inundações causadas pelo furacão Katrina.

 

A visita do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e de sua esposa Michelle, será um dos pontos altos da agenda da cidade que lembrará os mais de 1,8 mil mortos no desastre.

 

Obama fará um discurso na histórica Universidade Xavier, destruída parcialmente pela catástrofe e onde continuam os esforços para de restauração.

 

As palavras do presidente deverão lembrar a manhã de 29 de agosto de 2005, quando o coração do furacão com ventos de 200 km/h tocava a terra na foz do rio Mississipi no Golfo do México.

 

Em poucas horas, os diques do lago Pontchartrain e do Delta do Mississipi foram derrubados e as águas inundaram 80% de Nova Orleans.

 

O maior desastre humanitário dos EUA deixou 182 mil prédios destruídos e imagens de desolação e desespero na memória do mundo.

 

“Era frustrante. Eram tempos que nos puseram a toda prova. Não sabíamos o que estava acontecendo, se o seguro cobria a casa, se tínhamos perdido tudo”, disse à Agência Efe Charles W. Duplessis, que voltou para nova casa em março de 2010.

 

As autoridades “não nos deixavam voltar (durante os meses posteriores ao desastre), mas sabíamos que iríamos voltar. Nossa fé e esperança nos dizia isso”, acrescenta.

 

Como eles, cinco anos depois, 90% da população retornaram para as novas moradias construídas ou trailers provisórios.

 

Em junho de 2010, 85% dos empregos que havia antes do Katrina já tinham sido recuperados, apesar de o país estar apenas saindo da maior crise econômica desde a Grande Depressão dos anos 30.

 

A cidade começou este ano como o primeiro destino turístico do país e em fevereiro seu time local de futebol americano, The Saints, ganhou a liga nacional.

 

Para tristeza geral, a vontade de cantar vitória perdeu força em 20 de abril, quando uma explosão em uma plataforma petrolífera administrada pela BP no Golfo do México originou o maior vazamento da história do país.

 

A imagem de uma cidade que vive do turismo e do marisco que chega do Golfo voltou a ressentir-se e, desde então, o município investiu US$ 5 milhões em campanhas para convencer o público de que o petróleo não chega à cidade, berço do jazz e do blues e da genuína cozinha crioula.

 

Mas as consequências do furacão, do vazamento e da crise freiam ainda uma recuperação considerada para alguns “frágil” e para outros “milagrosa”.

 

Nova Orleans lidera o índice de assassinatos do país. A pobreza, de 23%, é o dobro da média nacional de 11% em todo o país. Negros e latinos sofrem ainda mais as desigualdades. Seus rendimentos são, respectivamente, 44% e 25% menores do que os dos brancos.

 

No Lower Ninth Ward, o bairro onde as equipes de socorro encontraram mais corpos após a inundação, a casa da família Duplessis é uma exceção, já que três quartos das casas estão vazias.

 

Mas os economistas destacam progressos, como o relatório “The New Orleans Index at Five”, divulgado neste mês pelo instituto Brookings.

 

“Apesar de suportar três choques nos últimos cinco anos, Nova Orleans metropolitana se recupera e, de alguma maneira, o está fazendo melhor do que antes”, concluem os autores.

 

Entre outros exemplos, o estudo diz que os salários médios aumentaram 14% nos últimos cinco anos, alcançando a média nacional, algo que não acontecia desde os anos 80 nesta cidade.

 

A população encontrou novos negócios, uma tendência que superou pela primeira vez em uma década a média nacional.

 

A reconstrução segue em andamento e a visita de Obama gerou ainda mais expectativa em uma cidade que deu 80% de seus votos ao agora presidente e que espera impaciente mais compromissos e feitos da parte dele.

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