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Na Ucrânia, Zelenski fala em ‘dia negro’ após ataque e pede encontro com Putin

A Rússia destruiu neste domingo, 13, a base ucraniana de Yavoriv, na região de Lviv, a 25 quilômetros da fronteira com a Polônia – um país-membro da Otan

Redação Jornal de Brasília

14/03/2022 8h05

O presidente da Ucrânia, Volodmir Zelenski, afirmou neste domingo, dia 13, que o país viveu um “dia negro” por causa do ataque russo a uma base militar em Yavoriv, na região da fronteira com a Polônia. O bombardeio matou 35 pessoas e deixou outras 134 feridas, nas contas do governo local.

Zelenski afirmou ainda que a Ucrânia vai permanecer em negociação com a Rússia por um cessar-fogo e pela abertura de mais corredores humanitários – pelos quais passaram 130 mil pessoas na semana passada, segundo o líder ucraniano.

O presidente da Ucrânia disse que tem pedido insistentemente por uma reunião com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, mas sem obter resposta.

Ataque russo mata 35 em base militar e leva guerra à fronteira com Polônia

A Rússia destruiu neste domingo, 13, a base ucraniana de Yavoriv, na região de Lviv, a 25 quilômetros da fronteira com a Polônia – um país-membro da Otan. Segundo autoridades locais, a ação matou 35 pessoas e deixou 134 feridos. O local era usado como centro de treinamento de soldados estrangeiros. No sábado, a Rússia já havia ameaçado bombardear remessas de armas e mercenários que atuam dentro da Ucrânia.

O que preocupa, no entanto, é o fato de a guerra ter chegado tão próxima das fronteiras de um membro da Otan, ampliando o risco de a aliança atlântica se envolver diretamente no conflito – o Artigo 5.º da Carta da Otan fala que um ataque contra um aliado é considerado um ataque contra todos.

O Ministério da Defesa russo confirmou o ataque e disse ter matado 180 “mercenários estrangeiros” em Yavoriv e em outra instalação na cidade de Staritchi, também próxima à fronteira polonesa. “Até 180 mercenários e um grande número de armas estrangeiras foram eliminados”, disse o porta-voz do ministério, Igor Konashenkov, acrescentando que as forças russas continuarão atacando esses alvos, considerados legítimos por Moscou.

A base de Yavoriv era um elo vital no fluxo de armas enviadas pelos países da Otan para a Ucrânia. A Polônia tem sido o principal ponto de passagem de carregamentos de armas, de refugiados que fogem para países da União Europeia e de estrangeiros que viajam para a Ucrânia para lutar ao lado do Exército local contra a Rússia.

Estrangeiros

“Infelizmente, perdemos heróis”, disse o governador de Lviv, Maksim Kozitski, em comunicado. O ministro da Defesa da Ucrânia, Oleksii Reznikov, confirmou que instrutores militares estrangeiros atuavam na base de Yavoriv.

De acordo com o New York Times, instrutores militares da Guarda Nacional da Flórida treinavam soldados ucranianos na base de Yavoriv. Eles deixaram a Ucrânia em fevereiro, por ordem do Pentágono, antes de a guerra começar. A Otan garantiu que não havia nenhuma equipe sua no local. Nas primeiras horas após o bombardeio, não havia informações sobre quantos soldados estavam na base e se havia estrangeiros entre as vítimas.

Crimes de guerra

Ontem, na cidade portuária de Mykolaiv, no sul da Ucrânia, um ataque aéreo matou nove civis, segundo o governador da região, Vitali Kim. A ONU disse que pelo menos 596 civis morreram desde que a invasão russa começou, em 24 de fevereiro, incluindo 43 crianças. O número real de mortos, segundo a própria organização, é muito maior.

Na cidade ucraniana de Popasna, perto de Luhansk, no leste do país, a comissária de direitos humanos do Parlamento da Ucrânia, Liudmila Denisova, acusou a Rússia de usar munições de fósforo branco em um ataque noturno, chamando o ocorrido de “crime de guerra”. As agências de notícias não conseguiram verificar a veracidade da afirmação. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS).

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