Em entrevista coletiva após se reunir com a presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, Morales indicou que os quatro países que formam a Comunidade Andina (CAN) “se entenderam” durante uma reunião realizada hoje em Lima com as autoridades da União Européia.
Na reunião, emoldurada na 5ª Cúpula América Latina-Caribe-União Européia (EU-LAC, em inglês) realizada em Lima, foi ratificada a vontade de todos de continuar as negociações com o objetivo de fechar um amplo acordo de associação com conteúdo político, comercial e de cooperação em 2009.
O presidente do Peru, Alan García, e o do Equador, Rafael Correa, anunciaram separadamente à imprensa que a reunião tinha terminado com um acordo que permite resolver as diferenças internas da CAN sobre a negociação com o bloco europeu.
“Nosso grande desejo é de que haja essa negociação bloco a bloco, e que não se marginalize a Bolívia, como pretendiam alguns presidentes”, disse Morales em referência ao desejo da Colômbia e Peru de chegar a acordos individuais com a UE.
“Esperamos que a UE possa entender que não estamos pretendendo reparar danos de mais de 500 anos, mas é importante nos complementar para buscar certa igualdade entre nossos povos, através de uma negociação transparente em temas de comércio”, explicou.
A seu entender, “os presidentes da América Latina não podem privatizar os serviços básicos, isso é inegociável, e não se pode patentear a biodiversidade, ou saquear os recursos naturais”.
Quanto à Declaração de Lima contra a pobreza e a mudança climática pactada na sexta-feira durante a Cúpula América Latina-UE, Morales afirmou que houve “propostas muito interessantes”, mas também outras que eram “pura demagogia”.
“Se queremos acabar com a pobreza, só se pode fazer acabando com o sistema capitalista e o modelo neoliberal. O sistema capitalista é sinônimo da morte”, disse Morales, que lamentou que nenhum dos presidentes participantes da Cúpula que compartilham estes argumentos tenha conseguido defendê-los no palanque.
Morales explicou que manteve encontros bilaterais à margem da Cúpula com o chefe de Estado venezuelano, Hugo Chávez, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a primeira-ministra alemã, Angela Merkel, e o governante guatemalteco, Álvaro Colom, além de com o chefe do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero.
Além disso, se reuniu com o alto representante da UE para Política Externa e de Segurança Comum, Javier Solana, a comissária de Relações Exteriores, Benita Ferrero-Waldner, e o ministro de Assuntos Exteriores italiano, Franco Frattini.