Um dia depois de uma base militar israelense ser atacada na Cisjordânia, o ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, declarou nesta quarta-feira que os colonos ultranacionalistas mais radicais responsáveis pelos ataques se comportam como terroristas e defendeu o estudo de que os mesmos recebam essa definição.
“No que diz respeito ao comportamento, não há dúvidas de que estamos falando de terroristas. O restante é uma questão de definição legal”, disse Barak em entrevista à rádio militar, conforme transcrição de suas palavras pelo site da emissora.
O titular da Defesa e ex-primeiro-ministro questionou se a definição legal de terroristas poderia ser aplicada eventualmente “a uma organização ou a um grupo de indivíduos”.
“É preciso atuar com todas as medidas necessárias contra esses arruaceiros, incluindo a legislação de emergência, ordens de afastamento e detenções administrativas”, assinalou.
A decisão final, no entanto, cabe ao ministro da Justiça, Yaakov Neeman, que se reuniu com os policiais da equipe especial criada para lutar contra o fenômeno cuja criação foi anunciada na terça-feira pelo primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu.
Os ultranacionalistas religiosos mais fundamentalistas, formado principalmente por colonos, aplicam uma política denominada de preço, que consiste em atacar ou danificar as propriedades de palestinos em represália às remoções de assentamentos feitas pelas forças de segurança israelenses.
Desde terça-feira o assunto ganhou destaque especial no debate político no país. O interesse diz respeito ao fato de as vítimas dos cerca de 50 ultradireitistas não serem palestinos, mas militares israelenses.
Com o saldo de um oficial ferido, o ataque ocorreu aparentemente em resposta aos rumores de que o Exército tinha intenção de desmantelar um assentamento judaico em cumprimento de uma sentença do Tribunal Supremo.
O incidente foi condenado praticamente com unanimidade no país (onde o Exército é uma das instituições mais respeitadas e o serviço militar é obrigatório para homens e mulheres) e Netanyahu anunciou a formação de uma equipe especial para investigar os casos.
Nesta madrugada, descobriu-se outro aparente exemplo da chamada “política do preço”. Um grupo tentou incendiar e pichou palavras ofensivas em uma mesquita na parte judia de Jerusalém. O ataque não causou danos à estrutura, deixou apenas manchas nas paredes, graças à rápida atuação dos bombeiros.
Em outras supostas ações de ultradireitistas israelenses, dois caminhões e um carro palestinos foram queimados nesta madrugada no norte da Cisjordânia e veículos palestinos foram apedrejados em um cruzamento.