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Mundo

Ministério Público da Bolívia determina prisão de Evo Morales

Ex-presidente é investigado por terrorismo e outros crimes relacionados aos protestos que paralisaram rodovias e provocaram desabastecimento no país

João Victor Rodrigues

30/07/2026 7h47

Foto: AFP

Foto: AFP

O Ministério Público da Bolívia determinou, nesta quarta-feira (29), a prisão do ex-presidente Evo Morales por suposto envolvimento nos bloqueios de rodovias e manifestações realizadas entre maio e junho deste ano. As mobilizações, apoiadas por grupos aliados ao ex-mandatário, exigiam a renúncia do presidente Rodrigo Paz e resultaram em uma série de acusações contra Morales, incluindo terrorismo, insurreição armada contra a segurança e a soberania do Estado, associação criminosa, incitação pública ao crime e atentados contra os sistemas de transporte e serviços públicos.

Morales nega as acusações e afirma que nunca defendeu a saída de Paz do cargo. Segundo o ex-presidente, os protestos tinham como objetivo pressionar o governo a atender reivindicações apresentadas por trabalhadores rurais e entidades sindicais. A investigação também alcança Marco Argollo, dirigente da Central Operária Boliviana (COB), e Vicente Salazar, líder de camponeses de La Paz, que está preso preventivamente desde o início de julho em outra apuração relacionada aos mesmos fatos.

Os bloqueios se estenderam por cerca de sete semanas e atingiram principalmente o oeste e o centro da Bolívia. De acordo com as autoridades, as interrupções causaram desabastecimento de alimentos, combustíveis e oxigênio hospitalar em diversas cidades. O governo boliviano atribui às manifestações prejuízos superiores a US$ 3 bilhões e informa que ao menos 16 pessoas morreram durante o período, sendo 13 por falta de atendimento médico em razão da interrupção das rodovias. Em 20 de junho, após firmar acordos com setores da COB, o presidente Rodrigo Paz decretou estado de exceção e autorizou a atuação conjunta das forças policiais e militares para desbloquear as estradas.

Além da nova ordem de prisão, Evo Morales já responde a outro processo judicial. Desde outubro de 2024, ele permanece no Trópico de Cochabamba, sua principal base política, cercado por apoiadores que impedem o cumprimento de um mandado de prisão relacionado a uma investigação por tráfico qualificado de pessoas. O ex-presidente é acusado de ter mantido um relacionamento com uma adolescente, com quem teria tido uma filha em 2016, durante seu mandato presidencial. Em maio deste ano, um tribunal de Tarija declarou Morales em rebeldia após sua ausência no início do julgamento e expediu um novo mandado de prisão. A polícia boliviana afirma aguardar condições para executar a ordem judicial.

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