A chanceler alemã, Angela Merkel, reconheceu nesta quarta-feira os esforços da Itália para cumprir seu “impressionante” programa de reformas e assegurou que o mesmo dará “frutos em breve”. Ao término de um encontro na Chancelaria federal, Merkel e o primeiro-ministro da Itália, Mario Monti, expressaram um convencimento de que a zona do euro sairá reforçada da atual crise e também destacaram a “ambiciosa agenda” de seus dirigentes para as próximas semanas.
Os resultados da “emissão de dívida por parte da Itália ontem deram sinal de esperança”, disse a chanceler alemã, que assegurou que o caminho tomado pelo atual governo italiano é o correto para enfrentar a crise. “Os mercados estão começando a reconhecer esses sucessos”, afirmou Mario Monti, que ressaltou que em situações de crise é preciso avançar passo a passo.
Perguntada sobre a possibilidade da Itália finalmente se ver obrigada a solicitar o resgate após as eleições que serão realizadas dentro de dois meses, Merkel assinalou que as autoridades de Roma “tomam suas decisões de maneira independente”. A chanceler rejeitou novamente as exigências para conceder uma licença bancária ao Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) e ressaltou que o próprio presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, é contra essa possibilidade.
No entanto, nem Merkel e nem Monti comentaram as declarações deste último a um meio italiano antes de viajar para Berlim. Nestas, Monti voltava a reivindicar a compra de dívida pública dos países em crise por parte do BCE para diminuir a pressão dos mercados.
Por sua parte, Draghi rejeitava em um semanário alemão as críticas, sobretudo alemãs, à postura do BCE por deixar entrever essa última possibilidade. “O BCE fará tudo o que for necessário para garantir a estabilidade dos preços”, afirmou Draghi no semanário “Die Zeit”, comentário no qual ressalta que o Banco Central Europeu “manterá sua independência e atuará sempre dentro das propostas de seu mandato”.