Mais de 40 agentes das forças de segurança morreram neste fim de semana em uma onda de ataques no noroeste do Paquistão que, here segundo as autoridades, pode ser uma resposta ao recente assalto à Mesquita Vermelha de Islamabad.
Pelo menos 12 agentes perderam hoje a vida no vale de Sawat, na Província da Fronteira do Noroeste, num ataque com explosivos contra sua patrulha. Em princípio foi informado que o ataque foi um atentado suicida, mas posteriormente a emissora Geo TV disse que a explosão pode ter sido causada por uma ou várias minas colocadas na estrada.
Além disso, a emissora informou que o ataque foi seguido por um tiroteio. Além dos mortos, o atentado deixou cerca de 40 feridos, segundo o porta-voz do Exército, Waheed Arshad. O atentado aconteceu apenas um dia depois de 30 membros do Exército morrerem e 15 ficarem feridos em outro ataque similar perpetrado contra uma patrulha militar na região de Olham Shah, no Waziristão do Norte, fronteira com o Afeganistão.
Tanto Olham Shah como Sawat, onde ocorreu o atentado de hoje, foram palco de vários ataques desde a quarta-feira passada, quando terminou o assalto do Exército à Mesquita Vermelha de Islamabad, onde vários radicais islâmicos estavam entrincheirados.
Nesta quinta-feira seis policiais morreram em dois ataques em Sawat, nos quais também perderam a vida três terroristas suicidas, enquanto em Olham Shah outro atentado registrado fora dos escritórios do agente político do distrito custou a vida de duas pessoas.
Embora nenhum grupo tenha assumido a autoria desta onda de ataques, as autoridades acreditam que pode se tratar de uma resposta ao recente assalto à Mesquita Vermelha de Islamabad.
O presidente paquistanês, Pervez Musharraf, revelou na quinta-feira que os extremistas da mesquita mantinham contato com pessoas de algumas áreas da Província da Fronteira do Noroeste (onde está Sawat) e das zonas tribais (onde se encontra Olham Shah), tradicionalmente afastadas do controle de Islamabad.
Musharraf anunciou que o Governo reforçará a segurança nestas zonas, com novos recrutamentos para as forças militares e da Polícia, e o envio de tanques e armamento. Também anunciou ajuda do Exército para treinar e reestruturar os corpos de segurança nessas regiões nos próximos seis meses, como parte do compromisso do Governo de combater o extremismo religioso “em todos os cantos” do país.
Na operação militar contra os radicais entrincheirados na Mesquita Vermelha morreram pelo menos 102 pessoas, segundo os números oficiais, embora uma fonte dos serviços secretos tenha aumentado o número de vítimas fatais para cerca de 300, e o líder da oposição, Fazaulr Rehman, tenha afirmado que cerca de mil perderam a vida.
O porta-voz do Ministério do Interior paquistanês, Javed Iqbal Cheema, manteve neste sábado o número oficial de mortos e precisou que entre eles houve dez estrangeiros, cujas fotografias serão divulgadas à imprensa nos próximos dias.
Também disse que no pátio da mesquita se encontravam os corpos de sete meninos, enquanto nove cadáveres de meninas foram achados em um quarto da Yamia Hafsa, a escola corânica feminina adjacente ao templo.
Na casa do líder dos fundamentalistas entrincheirados, o clérigo Rashid Ghazi – que também morreu no assalto -, foi encontrado o corpo de uma mulher que se acredita era a mãe deste último, acrescentou Cheema, que foi o chefe da célula especial criada para enfrentar a crise da Mesquita Vermelha.
Em outros quartos do recinto foram achados 22 corpos carbonizados, segundo o porta-voz do Interior, que afirmou que algumas pessoas estão “exagerando” o número de vítimas na operação. Também detalhou que no assalto foram detidos 628 estudantes islâmicos, todos eles homens, dos quais 472 já foram postos em liberdade e 156 estão à disposição da Justiça.