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Macron decide mandar de volta embaixador francês aos EUA após conversa com Biden

Na sexta-feira 17, Paris havia anunciado a retirada dos embaixadores nos EUA e na Austrália, decisão sem precedentes com dois aliados históricos

French President Emmanuel Macron is seen on a television screen as he speaks during a televised address to the nation on the outbreak of COVID-19, caused by the novel coronavirus, on March 16, 2020, in Paris. – The French president addresses the nation, with many expecting him to unveil more strict home confinement rules in a bid to prevent the virus from spreading. France has closed down all schools, theatres, cinemas and a range of shops, with only those selling food and other essential items allowed to remain open. The balance sheet of the epidemic climbed to 127 dead and 5,423 confirmed cases in France. (Photo by Ludovic Marin / AFP)

O presidente francês, Emmanuel Macron, ordenou a volta do embaixador da França nos Estados Unidos para Washington na semana que vem após uma reunião com o líder americano, Joe Biden, sobre a crise diplomática após o acordo de submarinos australianos. Os dois presidentes conversaram por telefone nesta quarta-feira, 22, e decidiram restaurar a confiança entre os dois países, segundo um comunicado foi emitido em conjunto entre o Palácio do Elíseo e a Casa Branca.

Na sexta-feira 17, Paris havia anunciado a retirada dos embaixadores nos EUA e na Austrália, decisão sem precedentes com dois aliados históricos da França, após o cancelamento de um contrato de submarinos franceses com Canberra.

Macron e Biden afirmaram, durante a conversa, que “consultas abertas entre os aliados teriam evitado” a crise dos submarinos australianos, de acordo com um comunicado conjunto. “O presidente Biden expressou seu compromisso permanente com esta questão”, diz o documento, acrescentando que os dois líderes, que se encontrarão “na Europa no final de outubro”, decidiram “lançar um processo de consultas aprofundadas destinado a estabelecer as condições para garantir a confiança e propor medidas concretas para a concretização dos objetivos comuns”.

Foi neste contexto de apaziguamento que ficou decidido que o embaixador da França nos Estados Unidos, Philippe Etienne, retornará a Washington.

A crise

Estados Unidos, Austrália e Reino Unido anunciaram no dia 15 uma associação estratégica para contra-atacar a China, que incluia o fornecimento de submarinos nucleares americanos a Canberra, o que deixou os franceses fora do jogo. A França ficou furiosa com a decisão da Austrália de se retirar de um acordo de US$ 50 bilhões com o país.

O governo da Austrália diz que não mentiu sobre seus planos de cancelar um contrato de compra de submarinos franceses em favor de navios americanos. O ministro australiano da Defesa, Peter Dutton, disse no domingo que seu governo foi “franco, aberto e honesto” com a França sobre suas preocupações com o acordo, que estava acima do orçamento e com anos de atraso.

O acordo eleva a Austrália a um clube de elite das poucas nações que operam submarinos impulsionados por energia atômica, que podem viajar longas distâncias sem precisar reabastecer. A estratégia complementa os planos dos EUA, do Reino Unido e de outras nações aliadas para deter as reivindicações territoriais chinesas no Mar do Sul da China e a expansão do poderio naval de Pequim.

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Defesa europeia

Na conversa com Macron, Biden também destacou ser “necessário que a defesa europeia seja mais forte e mais eficiente” para contribuir para a segurança transatlântica e para cumprir “o papel da Otan”.

Os EUA “reiteram que o compromisso da França e da União Europeia na região Indo-Pacífico é de importância estratégica”, aponta o comunicado, publicado seis dias após a mais grave crise diplomática entre os Estados Unidos e a França desde o voto negativo da França à guerra do Iraque em 2003. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)

Estadão Conteúdo

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