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Lula pede diálogo entre governo e oposição na Venezuela após eleições contestadas

“O compromisso com a paz é o que nos leva a conclamar as partes aos diálogos e promover o entendimento entre governo e oposição”, sustentou Lula

Redação Jornal de Brasília

05/08/2024 20h55

lula no paraguai

FOTO: DANIEL DUARTE / AFP

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu, nesta segunda-feira (5), diálogo na Venezuela, após a contestada reeleição de Nicolás Maduro, não reconhecido pela oposição e vários governos, que alegam fraude nas eleições de 28 de julho.

Do Chile, onde está em visita de Estado, Lula defendeu um entendimento entre as partes diante dos protestos que eclodiram depois que a autoridade eleitoral venezuelana proclamou Maduro como vencedor.

“O compromisso com a paz é o que nos leva a conclamar as partes aos diálogos e promover o entendimento entre governo e oposição”, sustentou Lula.

Pelo menos 11 pessoas faleceram nos protestos que seguiram à reeleição de Maduro, segundo organizações defensoras dos direitos humanos. Também foram reportados oficialmente mais de dois mil detidos.

Nesta segunda, o Ministério Público da Venezuela abriu uma investigação penal contra o ex-adversário de Maduro na disputa, Edmundo González Urrutia, e a líder María Corina Machado, para chamarem os militares para reconhecer a vitória da oposição.

O Brasil promove, junto com a Colômbia e o México, uma saída da crise venezuelana.

“O respeito pela soberania popular é o que nos move para defender a transparência e os resultados”, acrescentou Lula.

O encontro entre ele e o presidente do Chile, Gabriel Boric, era muito esperado em meio à tensa situação na Venezuela, como consequência dos contestados resultados eleitorais.

Boric foi um dos primeiros líderes a questionar a transparência do pleito.

Enquanto isso, Lula demorou dois dias para se pronunciar sobre as eleições de 28 de julho.

Embora tenha indicado que foi “um processo normal, tranquilo”, o presidente brasileiro fez um chamado para que se publicassem as atas eleitorais, como excluir vários governos que ecoaram como suspeitas de fraude por parte da oposição.

– Boric falará na terça –

Nem Lula, nem Boric consideraram o candidato opositor Edmundo González Urrutia como vencedor das eleições, como fizeram os governos da Argentina, Equador, Peru, Uruguai, Costa Rica, Panamá e Estados Unidos.

Também não consideraram abertamente a reeleição de Nicolás Maduro.

Nesta segunda-feira, Boric evitou falar sobre a Venezuela durante conferência ao lado de Lula.

“Esta visita trata da relação Chile-Brasil. Sei que pode haver muitas perguntas sobre outros temas (…) Na questão da contingência regional e internacional, em particular sobre a situação da Venezuela, eu vou me manifestar pessoalmente amanhã à tarde”, afirmou.

No entanto, numa entrevista ao jornal El País, o chanceler Alberto van Klaveren afirmou que “o Chile está disponível para desempenhar um papel útil de mediação frente à crise venezuelana”.

Em retaliação à postura assumida por Boric frente ao processo eleitoral, a Venezuela expulsou uma delegação diplomática chilena em Caracas.

No entanto, o chefe da diplomacia chilena está actualmente “prematuro” a declarar um vencedor das eleições na Venezuela.

O Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela proclamou Maduro presidente reeleito com 52% dos votos, contra 43% para González, representante da líder inabilitada María Corina Machado.

A oposição denunciou fraude e garantiu que há provas para demonstrar uma vitória de González.

A CNE não publicou em detalhes o resultado da eleição de 28 de julho: seu site não funciona desde então, como parte do que disse ter sido um “hackeamento maciço” em seu sistema, uma justificativa que especialistas descartaram.

© Agence France-Presse

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