O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, retomou hoje suas atividades oficiais após passar pela quarta sessão de quimioterapia contra o câncer linfático, na sexta-feira passada.
Lugo, de 59 anos, presidiu uma reunião semanal do Conselho de Ministros no Palácio de López (sede do Governo), após ter ficado em repouso no fim de semana na residência presidencial de Mburuvichá Roga.
O ministro do Interior, Rafael Filizzola, disse que boa parte da reunião foi reservada à polêmica despertada pelas mudanças militares realizadas em 4 e 5 de outubro, nos dias em que Lugo estava hospitalizado no Brasil e com o vice-presidente Federico Franco no exercício da Presidência.
“O vice-presidente expressou seu descontentamento pelo fato de que as mudanças (militares) feitas durante o momento em que ele estava na Presidência não lhe foram comunicadas”, afirmou Filizzola.
O ministro afirmou que Lugo esclareceu que tinha dado uma ordem verbal antes de viajar a São Paulo, onde foi hospitalizado por quatro dias para cuidar de uma obstrução vascular derivada de seu tratamento.
“Essa ordem verbal foi passada antes (da viagem de Lugo) e ela é permitida dentro dos regulamentos vigentes das Forças Armadas”, disse Filizzola.
O vice-presidente, que nesta terça-feira irá à Câmara dos Deputados para oferecer sua versão dessas mudanças, criticou o procedimento e afirmou que o Lugo “foi mal assessorado”.
As objeções de Franco e de membros da oposição se referem a quatro ordens gerais emitidas à revelia do chefe de Estado, entre elas uma que dispôs a instalação do tribunal militar que a cada ano define promoções e movimentações financeiras.
Lugo retomou suas atividades sem restrições especiais depois da quarta sessão de quimioterapia feita em um hospital de Assunção. Segundo Alfredo Boccia, médico do presidente, as sessões se realizam a cada três semanas e o próximo tratamento dos seis indicados para seu caso deve ser realizado no dia 6 ou 7 de novembro.