O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, que permanece hospitalizado em São Paulo por causa de um câncer linfático detectado há uma semana, disse hoje estar “aliviado” porque a doença não o impedirá de levar “uma vida normal”.
Em mensagem ao país, o governante acrescentou que consultou “reiteradamente os médicos para saber o impacto da quimioterapia nas suas atividades nos próximos meses e todos responderam que poderei levar uma vida normal e isso me deixou aliviado”.
O chefe do Estado acrescenta na carta, postada no site da Presidência, que deseja entregar-se “plenamente e com toda vontade à causa de governar, para a qual foi eleito em 20 de abril” de 2008.
Lugo, de 59 anos, está desde terça-feira no Hospital Sírio-Libanês de São Paulo para uma série de exames que definirão o grau de avanço do câncer e à espera da primeira sessão de quimioterapia das seis que deverá fazer nos próximos seis meses.
“Estou ansioso por retornar nas próximas horas ao Paraguai. O processo de diagnóstico e o tratamento por parte dos médicos foi excelente e altamente profissional. Dentro de poucas horas, ao retornar ao Paraguai, estarei na etapa fundamental deste processo com todo o tratamento que esta doença requer”, afirmou o governante.
Lugo completará neste domingo dois anos no poder, ao que chegou à frente de uma coalizão de ampla base ideológica e cuja vitória eleitoral representou a ruptura de uma hegemonia política de 61 anos do conservador Partido Colorado.
“Quero agradecer os inumeráveis gestos de solidariedade dados por diversos meios. Prometo honrar plenamente essa expressão de afeto. Abraço a todos no Paraguai e espero que em 15 de agosto, essa data tão simbólica, lembre a necessidade de continuar construindo a mudança, que de maneira alguma pode parar”, enfatizou.
Por sua vez, o vice-presidente do país e presidente em exercício, Federico Franco, qualificou de “miseráveis” as versões nos meios políticos sobre a doença do governante, a quem deveria suceder diante de uma eventual incapacidade como chefe do Estado.
Franco, médico e líder de uma corrente liberal dissidente, mantém divergências desde o primeiro momento com Lugo por questões de poder.