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Mundo

Língua portuguesa é fator de integração nacional no Timor Leste

Arquivo Geral

01/04/2010 20h07

Num país marcado pela guerra civil, a língua portuguesa foi um elemento de coesão entre os cidadãos durante os períodos de conflito. No pequeno Timor Leste, foi proibido falar português durante os 25 anos da ocupação indonésia. Hoje, o idioma é um dos pilares da identidade timorense. O reitor da Universidade Nacional Timor Lorosa’e (UNTL), Benjamin Corte-Real, explica como a língua é um elemento de integração. Para ele, o Timor Leste ainda resiste como país independente porque mantém a coesão do idioma, incompreensível aos países vizinhos. “Se não fosse o português, seríamos praticamente uma extensão do território indonésio”, afirma o professor, que veio à UnB preparar um acordo de intercâmbio de alunos.

O Timor Leste foi uma colônia portuguesa desde o século XVI. Em 1975, o país foi invadido pela Indonésia. Após quase 25 anos de ocupação, os timorenses ganharam a liberdade em 1999. Até a invasão, as línguas oficiais do país eram o português e o tétum, uma língua usada na comunicação verbal entre os timorenses. Com a proibição do português, o indonésio passou a ser o idioma oficial, falado pela população do Timor Leste, principalmente pelas novas gerações. “Dá para diferenciar as faixas etárias que foram influenciadas pela ocupação”, afirma o reitor da UNTL.

A UNTL, primeira universidade em caráter nacional e democrático do país, nasceu em 2000 e, desde 2001, Corte-Real ocupa a reitoria. Antes da UNTL só existiu uma universidade no país, criada na década de 80 durante a ocupação indonésia. Por causa da interferência linguística, muitas disciplinas ainda vêm sendo ministradas em indonésio, mas o reitor espera que o português volte a ocupar as cadeiras da universidade integralmente. “Vejo a língua como veículo responsável pela transição”, diz. Atualmente, o indonésio é reconhecido pela constituição timorense como língua de trabalho.

TIMOR LESTE NA UnB – A cooperação entre o Brasil e o Timor Leste começou em 2005, quando seis professores timorenses vieram para a UnB. Apesar de não haver um acordo de cooperação oficial entre a universidade e o país asiático, o intercâmbio acadêmico acontece com certa frequência. Corte-Real tem interesse em assinar um acordo bilateral envolvendo a UnB e a UNTL, porque considera o Brasil um referência em língua portuguesa. “Se assinamos o acordo vamos concretizar em termos formais aquilo que, informalmente, já vínhamos a realizar”, ressalta.

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