As autoridades egípcias proibiram o líder opositor e candidato presidencial Ayman Nour de deixar o Egito, acusado de ter instigado os últimos distúrbios ocorridos no centro do Cairo, apontou nesta quarta-feira o político à Agência Efe.
Nour foi interrogado na terça-feira depois de dois jovens dizerem na Procuradoria Geral que “tinham escutado” que ele havia promovido os confrontos do fim do mês, com saldo de 17 mortos e mais de 1 mil feridos.
Os confrontos envolveram os manifestantes e as forças da ordem perto das sedes do Conselho de Ministros e do Parlamento, próximas à Praça Tahrir.
“Não sei qual é a acusação contra mim. Os dois jovens interrogados disseram que não me conhecem, mas que ouviram rumores de que eu havia instigado os incidentes”, afirmou Nour, dirigente do partido liberal Al-Ghad (amanhã) da Revolução.
“Fiquei surpreso com a decisão da proibição do meu direito de viajar”, queixou-se Nour, que adiantou recorrerá da medida.
Nour é o candidato presidencial pela segunda vez, após obter 7% dos votos no pleito de 2005, convertendo-se no principal rival do então presidente Hosni Mubarak.
Pouco depois ele foi acusado, julgado e preso por falsidade de documentos, acusação que sempre negou e passou mais de três anos preso até ser libertado por motivos de saúde.
Nour lamentou o fato de nada ter mudado com a chegada da Junta Militar ao poder, após a derrocada de Mubarak em fevereiro: “Voltamos outra vez aos tempos das acusações, a diferença é que agora não são sérias”, resignou-se.