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Juiz questionado abre processo contra funcionária do presidente da Guatemala

Segundo a promotora, também sancionada pelos Estados Unidos e pela União Europeia, como secretária-geral do partido em 2019, Ligia “ocultou” informação sobre aportes financeiros ao partido

Redação Jornal de Brasília

16/08/2024 21h12

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A chefe do Instituto de Vítimas, Ligia Hernandez, conversa com seu advogado Juan Zaghi após ser preso na Cidade da Guatemala em 13 de agosto de 2024. Hernandez, próximo do presidente da Guatemala, Bernardo Arevalo, foi preso em 13 de agosto de 2024, em conexão com uma investigação sobre o partido governante Semilla. (Foto de JOHAN ORDONEZ/AFP)

Um juiz considerado  “corrupto” e “antidemocrático” pelos Estados Unidos e pela União Europeia, abriu, nesta sexta-feira (16), um processo contra uma funcionária próxima do presidente da Guatemala, Bernardo Arévalo, detida por um caso contra o partido governista, Semilla.

“Dita-se o auto de processo” contra Ligia Hernández, chefe do Instituto da Vítima, detida na terça-feira, disse o questionado juiz Fredy Orellana na audiência de primeira declaração, ao afirmar que “há indícios racionais suficientes” contra a funcionária, ex-deputada do Semilla.

Durante a audiência, a promotora Leonor Morales atribuiu a Ligia Hernández os supostos crimes de financiamento eleitoral não registrado e obstrução à “fiscalização eleitoral de fundos”.

Segundo a promotora, também sancionada pelos Estados Unidos e pela União Europeia, como secretária-geral do partido em 2019, Ligia “ocultou” informação sobre aportes financeiros ao partido.

O Ministério Público terá três meses para aprofundar a investigação, enquanto Ligia, que se absteve de depor, continuará presa preventivamente em um quartel militar da capital “por risco de fuga”, segundo Orellana.

A Promotoria Especial Contra a Impunidade (FECI) abriu, em 2023, uma investigação questionada contra o Semilla, depois que Arévalo surpreendeu passando ao segundo turno das eleições presidenciais, deixando em alerta as elites acusadas de corrupção.

O caso se baseia em supostas irregularidades na formação do partido, entre elas um suposto esquema de lavagem de dinheiro, pelo qual a questionada Promotoria também tentou suspender a imunidade de Arévalo.

O Semilla está suspenso por ordem de Orellana, que é sancionado pelos Estados Unidos, que o consideram “corrupto”. Em fevereiro, a União Europeia também sancionou o juiz e a promotora Leonor Morales por “minar” a democracia.

Na última quarta-feira, o chefe da diplomacia dos Estados Unidos para a América Latina, Brian Nichols, condenou “energicamente” a detenção de Ligia Hernández e rechaçou “os esforços contínuos [da Promotoria] para criminalizar os atores democráticos e anticorrupção”.

A procuradora-geral, Consuelo Porras, também sancionada por Washington e Bruxelas, trava uma disputa sem trégua contra Arévalo. O presidente social-democrata, que assumiu o cargo em janeiro, carece de faculdades para remover Consuelo, cujo mandato termina em maio de 2026.

© Agence France-Presse

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