O ministro de Exteriores do Irã, Manouchehr Mottaki, afirmou hoje que a possibilidade do Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovar novas sanções contra seu país pelo programa nuclear é “muito, muito débil”.
“A possibilidade da adoção de uma resolução (com novas sanções) é muito, muito débil”, afirmou Mottaki em uma coletiva em Bruxelas, na qual afirmou que “não há consenso” no Conselho de Segurança.
O ministro iraniano acredita que se a comunidade internacional optar por uma nova rodada de sanções terá escolhido a via do “confronto”, em lugar da “cooperação” que supõe o acordo conseguido por seu país com o Brasil e Turquia para intercambiar urânio e obter assim combustível nuclear para seu reator.
As sanções e o acordo “são duas opções contraditórias. Não é possível ter as duas”, advertiu, embora lembre que seu país se reserva o direito de manter a produção de urânio altamente enriquecido.
Por isso, Mottaki apelou a Rússia, França e Estados Unidos para que atuem de forma “inteligente”.
Explicou que conversou com o ministro de Exteriores russo, Serguei Lavrov, que lhe disse “que aceita o acordo” e que está falando com as outras nações.
O responsável da diplomacia iraniana disse que foi o próprio presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que pediu a mediação do Brasil e da Turquia nesta questão.
Os Estados Unidos já apresentaram ao Conselho de Segurança da ONU uma proposta para reforçar as sanções já existentes contra o Irã devido ao seu programa nuclear.
O ministro também disse que seu país quer construir entre 10 e 20 usinas nucleares para a geração de eletricidade em um prazo que não precisou.
Mottaki desprezou as acusações do responsável militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte no Afeganistão, o general americano Stanley McChrystal, que no domingo passado disse que o Irã arma e treina os talibãs afegãos.
“Essas mentiras tentam cobrir oito anos de fracassos no Afeganistão”, afirmou o ministro iraniano, que reafirmou o compromisso de seu país contra o terrorismo e o narcotráfico, tanto em nível geral como em solo afegão.
Mottaki considera que a União Europeia tem uma grande capacidade de ação na esfera internacional, mas nos últimos dez anos vários líderes europeus “puseram todos seus ovos na cesta de Bush”, em alusão ao ex-presidente dos Estados Unidos.