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Irã enriquece urânio a 20% em mais uma usina do país

Arquivo Geral

09/01/2012 19h15

O Irã voltou a desafiar a comunidade internacional ao iniciar o enriquecimento de urânio até 20% de pureza nas instalações subterrâneas de Fordo, a 160 quilômetros de Teerã, anunciou nesta segunda-feira (9) a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

 

Os inspetores da instituição constataram o começo da produção nessa usina, descoberta em 2009 pelos serviços de inteligências dos países ocidentais. Em breve comunicado, a agência nuclear da Onu diz que todo o material nuclear do local está sob sua vigilância.

 

Até o momento, o Irã tinha purificado urânio até esse nível (o que é considerado um passo importante para a fabricação de bombas atômicas) apenas na usina de Natanz.

 

O regime iraniano afirma que necessita deste urânio para a produção de um combustível especial para um reator científico de Teerã, onde se fabricam isótopos usados no combate ao câncer.

 

A ciência considera o urânio enriquecido a 20% como altamente enriquecido. A fabricação de uma bomba atômica necessita do elemento com 90% de pureza.

 

No entanto, o fato significa que os técnicos iranianos já possuem grande parte dos meios necessários para a produção de armas nucleares. No sábado, o chefe do programa nuclear do Irã, Fereidun Abbasi Davan, informou sobre o início da produção em Fordo.

 

Em seu mais recente relatório sobre o Irã, emitido em novembro, a AIEA anunciou que a produção em Fordo começaria e breve. A usina foi feita para abrigar somente três mil centrífugas, enquanto em Natanz existem 50 mil, onde o urânio é enriquecido de forma industrial até 5% de pureza.

 

As instalações de Fordo ficam num ponto estratégico, pois estão localizadas dentro de uma montanha, a salvo de possíveis bombardeios por parte dos Estados Unidos ou de Israel.

 

A polêmica usina, construída pelo Irã de forma secreta, foi descoberta em 2009, por meio de uma denúncia feita pelo presidente Barack Obama.

 

Na ocasião, Teerã afirmou que não violou nenhuma norma internacional, pois avisou a AIEA sobre a usina quatro dias antes da acusação, apesar de já ter iniciado a construção muitos meses antes.

 

A comunidade internacional teme que sob o programa nuclear civil do Irã, o país esteja produzindo armas nucleares. O regime dos aiatolás, no entanto, nega as acusações e diz que o programa tem apenas fins pacíficos.

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