As autoridades mexicanas confirmaram hoje que já foram identificadas 31 das 72 vítimas do massacre de imigrantes ilegais que aconteceu no México.
O massacre gerou comoção e pesar, mas também um grande número de críticas à política migratória do país.
Até agora sabe-se que havim 14 hondurenhos, 12 salvadorenhos, quatro guatemaltecos e um brasileiro entre os assassinados em um rancho do estado mexicano de Tamaulipas .
Os especialistas das Procuradorias federal e de Tamaulipas ainda têm pela frente a dura tarefa de identificar 41 corpos.
Fontes da Chancelaria mexicana disseram à Agência Efe que neste momento “há contato permanente e coordenação contínua” com o pessoal diplomático dos países envolvidos para tratar de atender suas necessidades.
Nesta sexta-feira à tarde o primeiro enviado do exterior ao México para tratar do assunto, o vice-chanceler hondurenho Alden Rivera, falou sobre a postura de seu Governo, que ontem já exortou “as autoridades mexicanas a realizarem seus maiores esforços para frear os abusos, extorsões e violações de que os imigrantes centro-americanos são objeto em seu périplo rumo aos Estados Unidos”.
Conforme os dias passam vão sendo revelados mais detalhes sobre o destino dos 72 imigrantes mortos, caso que só veio à tona graças às informações do único sobrevivente do grupo, um equatoriano de 18 anos. O massacre ganhou relevância internacional e as críticas à política migratória do México se acumulam, vindas, sobretudo, da sociedade civil do país.
O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, expressou em Washington sua “condenação enérgica” ao massacre e reiterou a necessidade de coordenar a luta conjunta contra o crime transnacional.
“Estou profundamente chocada com estes assassinatos, que provocam críticas a situação dos imigrantes nesse país”, disse por sua vez a sul-africana Navi Pillay, Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos (ACNUDH).
O presidente do México, Felipe Calderón, lembrou hoje que o crime organizado no país se transformou “não só na principal ameaça à paz, à segurança e à liberdade”, mas também “no maior risco” para o “desenvolvimento e para a estabilidade democrática do país”.
Durante o encerramento do Diálogo pela Segurança, um fórum no qual foi analisada a necessidade de forjar uma política de Estado contra o crime organizado, o presidente lembrou que o massacre descoberto em Tamaulipas mostra “o grau de violência e de barbárie com o qual os criminosos atuam”.
“Os fatos sacudiram verdadeiramente a consciência nacional e internacional. Nos falam, sim, do tamanho do desafio que temos em frente, mas também nos falam da urgência de trabalhar unidos, entre ordens de Governo, entre poderes públicos, mas também entre sociedade e Governo”, acrescentou.
A ONG “Todos os direitos para Todos e Todas” (TDT), defendeu que o México carece de “uma perspectiva de direitos humanos” em matéria migratória e de segurança, e denunciou que as mulheres, particularmente, são as que mais sofrem.
Cecilia Romero, comissária do Instituto Nacional de Migração (INM), concordou que o marco normativo atual do México “está ultrapassado”.
“Precisamos atualizar a legislação migratória para modernizá-la, colocá-la à altura do século XXI”, admitiu.