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Hezbollah ameaça Israel e Chipre, no contexto da guerra em Gaza

A divisão entre os dois países é palco de duelos de artilharia quase diários desde o início, em 7 de outubro, da guerra entre Israel e Hamas

Redação Jornal de Brasília

19/06/2024 17h23

Foto: JACK GUEZ/AFP

O chefe do Hezbollah libanês, Hassan Nasrallah, anunciou, nesta quarta-feira (19), que “nenhum lugar” de Israel será uma salva de seus mísseis se o governo israelense, que trava uma guerra contra o movimento islâmico Hamas na Faixa de Gaza , abrindo uma nova frente de batalha em sua fronteira norte.

Nasrallah também fez ameaças ao Chipre, afirmando que o país do Mediterrâneo Oriental e membro da União Europeia seria considerado como “parte da guerra” se autorizasse Israel a usar seus aeroportos e bases para atacar o Líbano.

“O inimigo sabe muito bem que nos preparamos para o pior […] e que não haverá nenhum lugar […] a salva de nossos foguetes”, afirmou o líder do Hezbollah, grupo que tem força política significativa no Líbano.

Os disparos de foguetes contra Israel poderiam ser feitos de “terra, ar e mar”, acrescentou.

O Exército israelense anunciou na terça-feira que tinha uma “ofensiva” preparada contra o Hezbollah, apoiada e financiada pelo Irã, após semanas de intensificação do fogo trocado de ambos os lados da fronteira.

A divisão entre os dois países é palco de duelos de artilharia quase diários desde o início, em 7 de outubro, da guerra entre Israel e Hamas em Gaza.

O Hezbollah afirmou hoje que disparou “dezenas de foguetes Katyusha e projetos de artilharia” contra o norte de Israel, em resposta a bombardeios israelenses no sul do Líbano, que mataram quatro de seus combatentes.

‘Pôr fim ao conflito’

“Recebemos novas armas, desenvolvemos algumas de nossas armas […] e estamos guardando outras para os próximos dias”, sustentou o chefe do movimento libanês, que perdeu um de seus comandantes em um bombardeio israelense na semana passada.

O Exército de Israel afirmou ontem que havia aprovado e validado “planos operacionais para uma operação no Líbano” e o chanceler israelense, Israel Katz, ameaçou destruir o Hezbollah em uma “guerra total”.

Horas depois, o Exército israelense bombardeou alvos do Hezbollah no sul do Líbano.

A escalada bélica coincidiu com a visita a Beirute de um emissário do presidente americano Joe Biden, Amos Hochstein, que estes “urgentes” reduziram o prejuízo na fronteira entre Israel e Líbano.

Hochstein também defendeu o plano de cessar-fogo para a Faixa de Gaza apresentado em 31 de maio por Biden.

No território restrito, governado pelo Hamas e devastado por mais de oito meses de guerra, os bombardeios israelenses não dão trégua.

Nas imediações de Rafah, no extremo sul do território, pelo menos sete pessoas morreram em bombardeios com drones.

Em 7 de maio, o Exército israelense lançou uma exploração terrestre nessa localidade, com o objetivo proclamado de eliminar os “últimos batalhões” do Hamas.

No norte da Faixa, testemunhas relataram disparos na Cidade de Gaza. E em Nuseirat, no centro, pelo menos três pessoas morreram num bombardeio, informou a Defesa Civil do território.

Catástrofe Humanitária em Gaza

A guerra entre Israel e o Hamas começou em 7 de outubro de 2023, quando combatentes islâmicos mataram 1.194 pessoas, a maioria civis, e sequestraram 251 no sul de Israel, segundo um levantamento baseado em dados oficiais israelenses.

Por sua vez, o Exército israelense estima que 116 pessoas permaneceram em cativeiro em Gaza, 41 das quais permaneceram morridas.

Em resposta, Israel lançou uma intervenção que já resultou em pelo menos 37.396 mortes em Gaza, também civis na maioria, segundo o Ministério da Saúde do território palestino.

O conflito também gerou uma catástrofe humanitária, que – segundo a ONU – deixa os moradores de Gaza à beira de uma crise de fome.

Em 9 de outubro de 2023, Israel impôs um cerco “quase completo” ao território, obstaculizando a entrada de alimentos, água, combustível e medicamentos. A ajuda humanitária autorizada a entrar é insuficiente.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, enfrentou uma saraivada de críticas internas e externas por sua gestão da guerra e por não ter conseguido libertar os reféns.

Mas o dirigente, que liderou uma coalizão de forças nacionalistas, ultraconservadoras e do judaísmo ortodoxo, afirma que vai obrigações com a guerra até “aniquilar” o Hamas, considerada uma organização “terrorista” por Israel, União Europeia (UE) e Estados Unidos.

O procurador do Tribunal Penal Internacional (TPI) solicita em maio que a instância judicial máxima da ONU emita mandatos de prisão contra Netanyahu, seu ministro da Defesa Yoav Gallant e três dirigentes do Hamas por supostos crimes de guerra e contra a humanidade.

© Agência France-Presse

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