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Mundo

Grupos humanitários consideram insuficiente ação da ONU no leste da RDC

Arquivo Geral

21/11/2008 0h00

Os grupos humanitários que trabalham no leste da República Democrática do Congo (RDC) consideram insuficiente a atuação da Missão de Paz da ONU neste país (Monuc), cialis 40mg apesar da recente decisão do Conselho de Segurança da organização de elevar o número de militares para 20 mil.


“A Monuc não faz quase nada, case são meros observadores e contam com meios técnicos e humanos muito pobres”, disse hoje à Agência Efe em Goma, a capital da província de Kivu Norte, leste, Juanjo Aguado, um católico espanhol que trabalha em um projeto educacional do Serviço Jesuíta para Refugiados (JRS).


Para ele, “a única coisa” que os militares da Monuc fazem bem “é o controle da cidade de Goma, porque os soldados que estão no campo, completamente isolados, são indianos e paquistaneses que desconhecem o terreno, a situação e, também, o idioma”.


“Eles não têm uma idéia geral da situação e falta clareza no mandato da Monuc”, acrescentou Aguado, que explicou que “se trata de uma guerra (…) com combates todos os dias em algum lugar, entre os grupos armados” que se estendem por toda a região de Kivu Norte.


Sobre o cessar-fogo declarado em 29 de outubro pelos rebeldes tutsis congoleses do Congresso Nacional para a Defesa do Povo (CNDP), ele lembrou que “é unilateral, eles próprios não o respeitam e os outros (o Exército e as milícias locais Mai-Mai) não o aceitam”.


O CNDP, liderado por Laurent Nkunda, declarou o cessar-fogo após ocupar grande parte de Kivu Norte e se situar às portas de Goma, e posteriormente se retirou de diversas frentes à espera de negociações com o Governo, presidido por Joseph Kabila.


“Sou defensor das forças de paz, mas não assim, porque quando a situação esquenta eles põem uma tampa, mas não conseguem apagar o fogo”, concluiu o jesuíta espanhol.


Da mesma opinião que Aguado, o porta-voz da ONG Intermón Oxfam para a RDC, José Luis Barahona, afirma em uma nota enviada hoje à Efe que a decisão de reforçar a Monuc com outros três mil soldados e policiais “não basta para solucionar a crise no terreno e não deve encobrir a urgente necessidade de intervir mais rapidamente”.


“Há vidas em perigo e milhares de pessoas estão sofrendo devido aos combates e à insegurança crescentes”, diz Barahona, que pede à União Européia (UE) que “responda rapidamente com seu contingente especial em estado de alerta, criado exatamente para responder a este tipo de crise”.


Até que os soldados da ONU cheguem, o que a Oxfam considera que pode levar de três a quatro meses, ele pede “uma injeção rápida de tropas européias, com um mandato claro para impedir a continuação dos combates e ajudar na proteção dos civis”.


A situação em Kivu Norte, segundo explicou à Efe o vice-governador da província, Feller Lutaichirwa, “é realmente preocupante, com 250 mil deslocados (nos quatro últimos meses)”, aos quais é muito difícil levar ajuda.


Ele afirma que a maioria das localidades da província registrou muitos casos de cólera e a doença poderia se propagar e criar uma situação de autêntico perigo se os combates, agora praticamente paralisados, prosseguirem.


No entanto, o vice-governador manifestou sua confiança em que, com o apoio da comunidade internacional e com uma negociação entre todos os grupos armados e o Governo de Kinshasa, “a paz possa ser alcançada”.

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