Verdadeiras lagoas de água e mercúrio são o fruto das escavações da mineração ilegal na Amazônia equatoriana, que continua a degradar a região em busca de ouro, enquanto o Governo tenta recuperar algumas dessas áreas fazendo acordos com as comunidades locais.
Na pequena localidade de Conguimi, perdida na Cordilheira do Condor, que é uma joia verde na província amazônica equatoriana de Zamora-Chinchipe, o Governo fechou as áreas tóxicas com fitas amarelas que alertam para o perigo.
As escavadeiras perfuravam o solo, de onde saía água que os mineiros usavam ali mesmo para lavar o ouro com mercúrio, segundo Fernando Luna, engenheiro ambiental da Prefeitura de Zamora-Chinchipe.
Perto dali, em um campo em Wawintza, a Agência Efe pôde observar como cerca de dez máquinas removiam a terra em busca de ouro, numa área cercada por vários rios.
Trata-se de uma atividade ilegal, segundo os habitantes da região, que chegou até a mudar o curso dos rios.
Luna explicou que, frequentemente, os proprietários das terras chegam a acordos para que os mineiros escavem em suas fazendas, mas a atividade polui a água e o solo.
O Governo realizou operações contra as explorações ilegais, ao mesmo tempo em que tentava desenvolver a mineração em grande escala, fazendo concessões a multinacionais com tecnologia para minimizar o impacto ambiental, diz o engenheiro.
No entanto, grupos indígenas e ecologistas se opõem a essa estratégia. Essa rejeição se manifestou em uma marcha, que teve inicio em Zamora-Chinchipe em 8 de março e chegará a Quito no próximo dia 22.
Por outro lado, a Empresa Nacional Mineira do Equador (ENAMI) chegou a acordos com organizações locais para recuperar regiões danificadas pela mineração ilegal.
Uma delas é a associação Kenkuim Kurinunka, com 63 membros, que restaurará cerca de 400 hectares em Conguimi e arredores e depois fará “uma pequena mineração” de acordo com o meio ambiente, segundo seu gerente, Alipio Joaquin Wajari.
A ENAMI assinou convênios similares com um total de três mil habitantes da província, de acordo com Wajari.
“Primeiro vamos tratar o líquido vital, que é a água, misturada com mercúrio, diesel e outros produtos”. O passo seguinte será recolher o mercúrio do solo e reflorestar a área.
Wajari explicou que o início das operações está previsto para o final do mês, depois do acordo assinado em fevereiro com o Governo, indefinido e de monopólio de exploração, desde que se “cumpram o compromisso” de recuperar as terras e de praticar uma mineração responsável com o ambiente.
“Somos daqui, vamos viver aqui a vida toda. Nossos filhos e netos também. Temos que tratar a terra o melhor que pudermos”, concluiu.
O diretor da escola de Conguime, Domingo Ankuash, relatou que durante dez anos praticou mineração artesanal na região, mas que, em 2010, o Governo proibiu a atividade e confiscou as escavadeiras dos mineiros.
“O Estado considerou que realizávamos uma mineração irresponsável e ilegal”, apontou.
Ankuash assegurou que, a princípio, os mineiros tinham chegado a um acordo com as comunidades para reflorestar a área enquanto a explorassem, mas acabaram sendo desalojados à força pela Polícia.
“Todas as poças são ruínas deixadas com a presença do Estado e feitas pelos mineiros”, afirmou.
Na opinião do diretor, o Estado deveria ter “regulado e recuperado as terras” primeiro para depois pedir aos mineiros que se retirassem, “mas não foi assim, simplesmente os desalojaram e nada foi recuperado”.
Embora reconheça que a mineração gera emprego, Ankuash lembrou que antes havia “um lindo ambiente e um lindo espaço”. Por isso, ele pediu apoio ao Governo para promover o turismo na região, que é “outra das alternativas que pode proporcionar à sociedade bem-estar e sobrevivência”.
“Recuperar as terras e ofertar (…) nossos costumes, gastronomia e rituais”, declarou.