Uma operação contra um acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) matou o chefe militar e número dois da guerrilha, “Mono Jojoy”, no maior golpe sofrido pelo grupo em seus mais de 45 anos de história.
Víctor Julio Suárez Rojas, conhecido como “Mono Jojoy”, foi morto durante uma operação conjunta de todas as forças de segurança do Estado na região serrana de La Macarena, ao sul do departamento de Meta, junto com alguns guerrilheiros que faziam a sua segurança.
“Caiu o símbolo do terror”, anunciou o presidente Juan Manuel Santos em Nova York, onde participa da Assembleia Geral da ONU.
Santos conhecia os planos da operação antes de viajar para Nova York. Na última sexta-feira, ele passou a noite na base militar de Larandia, no departamento de Caquetá, sul da Colômbia, para acertar com a cúpula militar e policial os detalhes do que estava por vir.
É “uma notícia histórica”, disse o presidente, segundo quem a operação teve início na noite de segunda-feira.
O ministro de Defesa colombiano, Rodrigo Rivera, confirmou em Bogotá que a operação atingiu o “coração” das Farc, ao matar “Mono Jojoy”.
Segundo ele, na operação, as forças de segurança chegaram “a mais de 300 metros de longitude”, onde havia “um bunker construído” para esconder o guerrilheiro e túneis “para burlar a Polícia”.
“Chegamos ao coração, ao abrigo das Farc”, destacou Rivera, que qualificou a operação de “impecável”.
Ele acrescentou que cinco agentes da segurança ficaram feridos e que uma cadela farejadora de explosivos morreu durante os combates.
De acordo com Rivera, a operação foi “minuciosamente planejada” sob o comando de Santos, que foi informado de cada detalhe desde segunda-feira, e que teve pelo menos nove combates entre os agentes de segurança e guerrilheiros.
O ministro destacou o trabalho de inteligência prévio e indicou que se tratou de uma ação conjunta entre Exército, Força Aérea, Marinha e Polícia Nacional.
Após esta grande operação, o Governo agora volta sua atenção para o líder máximo das Farc, Guillermo León Sáenz, conhecido como “Alfonso Cano”, que comanda a guerrilha desde a morte de seu fundador, Pedro Antonio Marín, conhecido como “Manuel Marulanda Vélez” ou “Tirofijo”, de parada cardíaca em março de 2008.
Por isso, em meio à euforia pelo sucesso da operação que culminou na morte de “Mono Jojoy”, Rivera pediu para que “Alfonso Cano” e todos os guerrilheiros se entreguem.
“Nós garantimos suas vidas e um tratamento digno e justo em nossa ordem jurídica”, insistiu o ministro da Defesa, quem destacou que “as Farc estão desmoronando internamente”.
O presidente Santos parabenizou o trabalho das Forças Armadas do país e acrescentou que eles não vão baixar a guarda. No entanto, ele reconheceu que “falta um caminho a ser percorrido” para o fim das Farc, que, segundo ele, “sofreu o golpe mais duro da sua história”.