O Ministério das Relações Exteriores da França anunciou, nesta segunda-feira (6), à AFP a retirada de todos os seus diplomatas da Burkina Faso, depois que as autoridades burquinenses romperam, no final de junho, suas relações com sua antiga potência colonial.
A junta militar liderada pelo capitão Ibrahim Traoré, no poder desde um golpe de Estado em setembro de 2022, mantém uma política repressiva em relação às vozes críticas e uma postura hostil em relação aos países ocidentais, em particular à França.
Os diplomatas franceses neste país da África Ocidental retornaram à França “no final da semana passada”, indicou o ministério, que fixou o prazo até esta segunda-feira à noite para a partida de seus homólogos burquinenses de Paris.
“Lamentamos esta decisão hostil e sem fundamento, que ilustra a preocupante deriva das autoridades burquinenses”, lamentou o ministério, que desmentiu as acusações de que Paris apoia grupos “terroristas” na região.
Burkina Faso, assim como vários de seus vizinhos, é atingido há uma década pela violência de jihadistas ligados à Al-Qaeda e ao grupo Estado Islâmico.
A França, com presença histórica no norte, centro e oeste da África, desempenhou um papel relevante na etapa pós-colonial, com intervenções militares desde o início da década de 1960.
Embora tenha prometido abandonar a estratégia conhecida como “Françafrique”, destinada a manter sua influência, o sentimento antifrancês é forte em algumas de suas antigas colônias, em um momento em que cresce a influência da Rússia, da China e de outros atores no continente.
AFP