A França registrou ao menos 300 mortes adicionais durante a primeira onda de calor de 2026, no fim de maio, informaram nesta terça-feira (30) as autoridades de saúde, enquanto aumenta a pressão sobre o governo pela gestão desses episódios de calor extremo.
A deputada ecologista Cyrielle Chatelain anunciou a apresentação de uma moção de censura após um debate tenso no Parlamento com o primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, a quem acusou de “ter mortes na consciência”.
“A situação que vemos hoje em nossas escolas e hospitais mostra que temos um governo incapaz de gerir a situação, que não antecipou nada”, declarou Chatelain à imprensa.
Lecornu afirmou ser favorável à criação de uma comissão de investigação sobre a adaptação às mudanças climáticas, também defendida pelos ecologistas.
A França já enfrentou em 2026 duas ondas de calor de intensidade e precocidade inéditas. Segundo o serviço meteorológico Météo-France, um novo episódio pode ocorrer a partir do próximo fim de semana, com temperaturas acima de 35°C.
Durante a primeira onda, entre 24 e 28 de maio, “foram registradas 300 mortes adicionais” em comparação com uma situação normal, cerca de 14% a mais, afirmou Caroline Semaille, diretora da agência de saúde pública.
O número inclui mortes por todas as causas e, portanto, “não está necessariamente relacionado à onda de calor ou às altas temperaturas”, ressaltou.
A agência nacional de saúde pública informou no domingo que, desde a quarta-feira (25), foram registradas cerca de 1.000 mortes adicionais em relação aos meses anteriores, embora o balanço final ainda possa aumentar.
Segundo as autoridades, 85% dos mortos tinham 65 anos ou mais.
AFP