A França afirmou que acredita que a operação militar durará “dias ou semanas, mas não meses” e já se prepara para o contexto de uma Líbia sem a liderança de Muammar Kadafi, na qual estarão presentes o Conselho Nacional de Transição (CNT) e outras “personalidades” políticas.
O ministro das Relações Exteriores francês, Alain Juppé, foi quem falou nesta quarta-feira sobre o futuro da Líbia depois da aplicação da resolução do Conselho de Segurança da ONU para determinar uma zona de exclusão aérea no país norte-africano.
Essa visão da operação militar como um instrumento para a conquista de um objetivo político foi apoiada pelas declarações do ministro da Defesa, Gérard Longuet, quem no sexto dia de operações militares falou pela primeira vez com a imprensa.
“Se não há um projeto político não faz sentido intervir”, afirmou Longuet, quem assegurou que este consiste em “permitir aos líbios que se reúnam e construam um futuro diferente”.
Por sua vez, Juppé declarou que o CNT “não tem o monopólio” da representação dos rebeldes em seu país.
O chefe da diplomacia francesa afirmou que “não há ruptura” na União Europeia (UE) sobre o papel do CNT, órgão de direção dos rebeldes no leste do país, mas revelou que podem haver “outras personalidades” na Líbia, cuja opinião deve ser levada em conta.
“O que posso dizer é que já pensamos no fim da crise. A operação militar não tem vocação de uma duração indefinida. Temos que impedir que Kadafi agrida a população civil” e temos também o objetivo “de colocar as forças líbias a favor da democracia”.
“E quando isso estiver feito, a intervenção militar poderá terminar”, disse o ministro, quem acrescentou que a operação deve durar “dias ou semanas” e “não meses”.
“É preciso identificar que personalidades (políticas) estão disponíveis”, acrescentou Juppé sobre a participação de outros líbios opostos a Kadafi no futuro Governo do país.
Em relação ao comando político da intervenção internacional, Juppé considerou que “está bastante claro”.
“É uma operação das Nações Unidas”, ressaltou.