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Exército de Mianmar matou mais de 700 civis em período eleitoral, segundo a ONU

Redação Jornal de Brasília

22/06/2026 10h29

Foto: AFP

Mais de 700 civis foram mortos pelo Exército birmanês durante o período eleitoral, entre agosto de 2025 e janeiro de 2026, anunciou o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos nesta segunda-feira (22).

A junta de Mianmar organizou eleições legislativas em dezembro de 2025 e janeiro de 2026 e as apresentou, após cinco anos de regime autoritário, como um retorno à democracia.

Mas a votação não pôde ser realizada em vastas áreas controladas por rebeldes e, ao final, resultou em uma vitória esmagadora e sem oposição dos partidos alinhados ao Exército.

Segundo “fontes confiáveis (…) pelo menos 702 civis foram mortos em todo o país durante o período” eleitoral, indica o relatório do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos.

Uma porta-voz desse órgão, Ravina Shamdasani, disse à AFP que “as 702 mortes são atribuíveis ao Exército birmanês”.

“Isto não significa que outros grupos armados não sejam responsáveis por outras vítimas civis. Estes são os dados confiáveis de que dispomos. Este número não é exaustivo”, acrescentou a porta-voz.

O relatório indica que “os bombardeios aéreos foram a principal causa de destruição e de sofrimento”.

Além disso, “fontes abertas confiáveis indicaram que grupos armados da oposição lançaram ataques que afetaram civis, dos quais pelo menos 95 estavam relacionados às eleições”.

Segundo o Alto Comissariado, houve mais mortes de civis em dois períodos, em agosto-setembro de 2025 e entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, coincidindo “com o anúncio das eleições e com os avanços do Exército no campo de batalha”.

Entre as 702 pessoas mortas, há 224 mulheres e 153 menores, especifica o relatório.

AFP

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