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EUA sabiam, mas não investigaram casos de tortura no Iraque, dizem documentos

Arquivo Geral

22/10/2010 21h32

Os Estados Unidos tomaram conhecimento, mas não investigaram alguns casos de abusos e torturas cometidos por soldados e policiais iraquianos contra presos, segundo os cerca de 391 mil documentos secretos vazados na internet sobre a Guerra do Iraque.

Os documentos, divulgados com antecipação pelo site Wikileaks a vários meios de comunicação, indicam que práticas como espancamentos, chicotadas e queimaduras de cigarros estavam longe de ser uma exceção nas prisões sob jurisdição das autoridades iraquianas.

Embora as forças americanas tenham investigado alguns casos, a maioria parece ter recebido caso omisso.

O jornal “The New York Times”, um dos meios de comunicação que receberam os documentos por antecipação, indica que os documentos, que datam de 2004 a 2009, incluem referências à morte de pelo menos seis presos sob custódia iraquiana.

Em um caso particular, os soldados americanos apontam suas suspeitas de que os soldados iraquianos cortaram os dedos e queimaram com ácido um dos presos.

Outros dois casos revelam a execução de dois prisioneiros amarrados.

Em alguns dos casos, os militares americanos abriram uma investigação. A maioria, no entanto, parece ter se limitado a informar a seus superiores e deixar as investigações em mãos das forças iraquianas. A frase “nenhum soldado da coalizão esteve envolvido no incidente” é frequente nos relatórios.

Um porta-voz do Pentágono citado pelo jornal garante que a política americana “está, e sempre esteve, em linha com as práticas e o direito internacionais”, que obrigam a informar sobre possíveis abusos. Se foram cometidos por iraquianos, cabe às forças iraquianas investigá-lo, afirmou o porta-voz.

Nos casos em que as tropas americanas comprovaram a existência de abusos e os denunciaram, na maioria das vezes, os iraquianos não tomaram medidas a respeito.

Em certa ocasião, um chefe de Polícia se mostrou de acordo com as torturas “contanto que não deixassem marcas” e, em outro caso, outro oficial descreveu os abusos como “um método para desenvolver investigações”.

Um dos relatórios descreve como um prisioneiro apresenta “marcas em forma de bota por toda as costas”, e outro menciona hemorragia ocular, sangramento no nariz e ouvidos, visão confusa e marcas nas costas e nas extremidades.

Em outros, são citadas chicotadas nos pés e a presença de mangueiras ou cabos elétricos.

Alguns relatórios deixam claro que os soldados americanos que suspeitam da possibilidade de tortura interrompem essas práticas e confiscam os materiais com os quais supostamente elas são cometidas.

Embora haja referências a violência por parte de soldados americanos, estas alusões não são documentadas. Os casos mais sérios deste tipo, segundo o jornal, ocorrem durante detenções de presos. Sempre as detenções são seguidas da abertura de uma investigação.

As forças americanas reforçaram a vigilância contra abusos em suas prisões depois do escândalo de maus tratos contra detentos iraquianos na prisão de Abu Ghraib em 2004.

Segundo os relatórios, embora os soldados americanos não cometam abusos, utilizam a ameaça de abusos por parte das forças iraquianas para obter informações dos prisioneiros.

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