Os Estados Unidos admitiram, nesta terça-feira (17), que acompanharam, no último mês de dezembro, o consulado da Venezuela em Miami por apresentar “problemas menores de segurança”, mas negaram categoricamente terem ameaçado seus funcionários, como alegou o governo do presidente venezuelano Hugo Chávez.
“Em dezembro, assistimos o consulado com algumas preocupações menores sobre sua segurança. Mas, desde então, não recebemos novos pedidos de ajuda”, disse o porta-voz adjunto do Departamento de Estado, Mark Toner.
Toner também fez questão de ressaltar que esses problemas não são relevantes e que eram preocupações com questões de segurança e não ameaças.
Na última sexta-feira, o Governo de Chávez anunciou o fechamento administrativo do consulado depois que os Estados Unidos, na semana anterior, expulsaram a sua titular, Livia Acosta Noguera.
O Ministério de Exteriores venezuelano, na última segunda-feira (16), assegurou que as especulações que rodearam a expulsão da consulesa provocaram um aumento das ameaças que pesam sobre o pessoal consular e, por isso, anunciou a repatriação de todos os funcionários.
“Se os funcionários venezuelanos receberam alguma ameaça, deveriam havê-lo comunicado à seção do Departamento de Estado encarregada desses problemas”, respondeu Toner nesta terça-feira.
O porta-voz ressaltou que Washington atende seriamente a segurança das missões diplomáticas estrangeiras e, ao mesmo tempo, segue com suas obrigações sob a Convenção de Viena.
Toner considerou que a decisão de como conduzir seus consulados concerne só à Venezuela, como indicou na última sexta-feira à Agência Efe o porta-voz do Departamento de Estado para a América Latina, William Ostick.
A expulsão da diplomata aconteceu depois que a rede de televisão Univisión transmitisse no último mês de dezembro o documentário “A Ameaça Iraniana”, que narra um suposto plano para atacar os sistemas de várias usinas nucleares nos EUA, além da Casa Branca, FBI e CIA.
Alguns dos entrevistados disseram que as embaixadas do Irã, Cuba e Venezuela teriam participado do filme, o que fez com que vários congressistas americanos pedisse uma investigação sobre o assunto à secretária de Estado, Hillary Clinton.
Na última segunda-feira, a Chancelaria venezuelana considerou que “desde a difusão dessas infames especulações, os diplomatas e o próprio consulado venezuelano foi vítima de ameaças, passando a correr um perigo real, grave e iminente”.