De acordo com o o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, os Estados Unidos continuarão apoiando o processo de reconciliação no Afeganistão e sua estratégia não mudará, apesar do anúncio desta quinta-feira (15) do movimento rebelde talibã sobre a ruptura de negociações com Washington.
O porta-voz afirmou que os talibãs sabem quais são as condições que o governo americano estabeleceu para conseguir o diálogo de reconciliação. As conversas prévias entre as facções afegãs se desenvolviam desde o início do ano no Catar.
“Apoiamos um processo dirigido pelos afegãos para a reconciliação. Não há uma resolução provável do conflito no Afeganistão sem uma resolução política”, acrescentou.
A estratégia americana segue intacta, embora, nas últimas semanas, as tropas americanas tenham sido envolvidas em “desafortunados e trágicos incidentes” que não melhoraram a situação, disse Carney em referência à queima de exemplares do Corão e ao assassinato de 16 civis no domingo passado a mãos de um soldado americano em Kandahar.
Diante do aumento dos episódios de violência, o presidente afegão, Hamid Karzai, pediu nesta quinta-feira ao secretário de Defesa americano, Leon Panetta, que se encontra em Cabul, que as tropas da Organização do Tratado do Atlântic Norte (Otan) “abandonem as aldeias” do Afeganistão e “permaneçam em suas bases” após o ocorrido no fim de semana.
Segundo um comunicado oficial, Karzai se encontrou com Panetta e lhe disse que as forças afegãs têm a capacidade de manter a segurança por elas mesmas e pediu à Otan que agilize o processo de transição.
Já a porta-voz do Departamento de Estado americano, Victoria Nuland, explicou que os Estados Unidos devem continuar o processo se os talibãs continuarem dispostos a renunciar à violência.
No entanto, Nuland disse que o próximo passo que os EUA esperam dos talibãs, se é que querem que o processo avance, “são declarações claras sobre sua rejeição e distanciamento sobre o terrorismo internacional e seu apoio a um processo político”.
O comunicado dos talibãs divulgado nesta quinta-feira anuncia a suspensão do diálogo e culpa a postura dos EUA pelo fracasso das negociações. Para os rebeldes, Washington não implementou iniciativas contempladas como “passos práticos” para facilitar as negociações entre as partes como uma “troca de prisioneiros”.