O Governo dos Estados Unidos está “decepcionado” pelo anúncio de que Israel construirá 238 casas em duas colônias judaicas em Jerusalém Oriental, disse hoje o porta-voz do Departamento de Estado, Philip Crowley.
“O anúncio de novos assentamentos nos decepcionou. É contrário às nossas tentativas de retomar as negociações diretas entre as duas partes”, declarou Crowley.
As casas são as primeiras a serem construídas na parte ocupada da cidade desde março, quando a notícia da edificação de 1.600 novas casas, anunciada durante a visita do vice-presidente americano, Joe Biden, provocou uma crise entre ambas as potências.
Crowley revelou que o Governo americano conhecia os planos do Ministério da Habitação israelense antes do anúncio e que o Departamento de Estado transmitiu às autoridades do país sua “preocupação” pelo assunto.
Segundo a imprensa israelense, a Casa Branca negociou os planos de construção com as autoridades de Israel e exigiu uma redução do número de casas proposto.
O porta-voz acrescentou que o Governo “segue confiando nas negociações diretas como a melhor maneira de resolver o conflito, para que se possibilite a criação de um Estado palestino e a segurança e a estabilidade que Israel e o resto da região necessitam”.
O anúncio das construções acontece em um momento extremamente delicado em que os palestinos se recusam a seguir com as negociações diretas de paz enquanto a ampliação das colônias continue.
O diálogo impulsionado por Washington e iniciado há apenas um mês e meio está paralisado desde que, em 27 de setembro, foi encerrada a moratória parcial à edificação nas colônias no território palestino ocupado da Cisjordânia.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente palestino, Mahmoud Abbas, que tinham concordado em fazer encontros quinzenais, não voltaram a se ver desde a reunião que mantiveram em Jerusalém há um mês exato.