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EUA e Argentina defendem transição na Venezuela com garantias para chavistas e opositores

O texto, que também foi endossado pela União Europeia, foi publicado após uma reunião em Nova York

Redação Jornal de Brasília

26/09/2024 22h07

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Um oponente do governo do presidente venezuelano Nicolás Maduro bate uma panela durante um protesto no bairro Catia, em Caracas, em 29 de julho de 2024, um dia após as eleições presidenciais venezuelanas. Os protestos eclodiram na segunda-feira em partes de Caracas contra a vitória reeleitora reivindicada pelo presidente venezuelano, Nicolás Maduro, mas contestada pela oposição e questionada internacionalmente, observaram jornalistas da AFP. (Foto de YURI CORTEZ/AFP)

RICARDO DELLA COLETTA E MARIANNA HOLANDA
BRASÍLIA, DF, E NOVA YORK, EUA (FOLHAPRESS)

Os governos de Estados Unidos, Argentina e de outros 28 países assinaram um documento nesta quinta-feira (26) em que defendem uma transição negociada na Venezuela que envolva garantias para os dois lados da disputa, chavistas e oposicionistas.

O texto, que também foi endossado pela União Europeia, foi publicado após uma reunião em Nova York copresidida pelos chefes das diplomacias de Joe Biden e do ultraliberal Javier Milei.

“Agora é hora para os líderes políticos da Venezuela começarem discussões construtivas e inclusivas sobre uma transição com garantias para ambos os lados para resolver o impasse político no país; e para restaurar instituições democráticas de forma pacífica e de acordo com a lei venezuelana, assim como a vontade do povo expressada por meio do voto em 28 de julho”, diz o comunicado.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, foi convidado a participar, mas, num gesto para distanciar o país da iniciativa, não compareceu.

Além de Argentina e EUA, assinaram o texto Austrália, Áustria, Bósnia e Herzegovina, Canadá, Costa Rica, Croácia, Dinamarca, República Dominicana, Estônia, Alemanha, Guatemala, Guiana, Hungria, Irlanda, Itália, Kosovo, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Holanda, Panamá, Peru, Portugal, Eslovênia, Espanha, Suécia, Ucrânia e Reino Unido.

A nota divulgada não detalha o que seriam essas garantias ou a quem elas se aplicariam. A administração Biden já desmentiu uma reportagem do The Wall Street Journal que afirmava que os americanos estavam dispostos a oferecer uma anistia ao ditador Nicolás Maduro.

Apesar de indicar uma disposição dos EUA, que aplicam sanções contra líderes do chavismo, de conceder garantias, especialistas que acompanham a crise venezuelana avaliam que não há, por parte do regime, sinais de que Maduro estaria disposto a negociar uma transição.

Em sua fala na reunião, o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, defendeu que os responsáveis por abusos de direitos humanos na Venezuela respondam por seus atos. Segundo ele, essa cobrança é algo que os EUA já fizeram e continuarão fazendo.

O comunicado acordado também diz que o opositor Edmundo González recebeu a maioria dos votos no pleito, “de acordo com registros eleitorais disponíveis ao público”. Trata-se de uma postura diferente da adotada pelo governo Lula (PT), que não reconhece a vitória nem de Maduro nem da oposição.

“Permanecemos gravemente preocupados com a repressão generalizada, assim como os reportados abusos de direitos humanos e violações após as eleições”.

O chanceler da Venezuela, Yván Gil, discursou na Assembleia-Geral da ONU na quarta-feira (25), apresentando um cenário segundo o qual é possível interpretar que o mundo tem vários motivos mais urgentes para se preocupar –das guerras na Ucrânia e no Oriente Médio à crise do clima– antes de olhar para a crise política que se agravou após a contestada reeleição de Maduro.

“No dia 28 de julho, como é costume em nossa democracia revolucionária, o povo venezuelano se expressou de forma consciente, pacífica e massiva para eleger, com todas as garantias, transparência e liberdade, o Chefe de Estado e de Governo venezuelano para o mandato de 2025-2031. O presidente Nicolás Maduro foi reeleito com um claro e esmagador apoio”, afirmou o chefe da diplomacia de Caracas.

Sem nomear a oposição, atribui a uma suposta oligarquia “a violência criminosa que deixou 27 mortos” e, em âmbito maior, “aos Estados Unidos e seus governos satélites” uma “campanha fascista e de desinformação”.

“Rejeitamos categoricamente o uso de pretextos como os direitos humanos ou a democracia para justificar intervenções militares, golpes de Estado ou imposições econômicas que violam a soberania dos povos”, afirmou o chanceler.

A ação diplomática dos governos Milei e Biden diverge da linha adotada por Lula e mostra como os países das Américas não conseguem articular uma resposta coordenada à deriva autoritária do chavismo desde as eleições de 28 de julho.

Num primeiro momento, Lula costurou conjuntamente uma resposta com os esquerdistas Gustavo Petro (Colômbia) e Andrés Manuel López Obrador (México). Basicamente, os três países vinham pressionando pela divulgação de atas eleitorais que comprovariam o resultado anunciado –o que nunca ocorreu.

O México abandonou a articulação poucas semanas depois, e Brasil e Colômbia seguiram publicando notas sobre acontecimentos na Venezuela. Mesmo a ação da dupla, no entanto, esfriou na medida em que Maduro não enviou qualquer sinal de moderação.

A situação na Venezuela se agravou depois do pleito de julho. Maduro foi declarado vencedor pelo órgão eleitoral controlado pelo chavismo, mas o resultado foi prontamente questionado por governos da região.

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