O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, afirmou hoje que “todas as opções estão sobre a mesa” em relação aos programas nucleares do Irã e da Coreia do Norte, em entrevista coletiva para apresentar a nova estratégia nuclear americana.
Ao lado da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, Gates afirmou que a nova estratégia, que busca adaptar os arsenais atômicos dos EUA às ameaças provenientes dos grupos terroristas e de regimes hostis, envia uma mensagem ao Irã e à Coreia do Norte para que “cumpram as regras”.
A nova estratégia, que faz parte da Revisão da Postura Nuclear, um relatório que é emitido a cada novo mandato presidencial, por ordem do Congresso americano, compromete aos EUA a não usarem armas nucleares contra países que cumpram o Tratado de Não-Proliferação.
Essa garantia, ressaltou Gates, não se estende aos regimes iraniano e norte-coreano, que violaram seus compromissos com relação a esse tratado, como é o caso de Teerã, ou nunca o assinaram, como no caso de Pyongyang.
“Todas as opções estão sobre a mesa no que respeita a esses países”, ressaltou Gates.
A Revisão da Postura Nuclear considera que a maior ameaça atual é o terrorismo atômico, seguida da proliferação.
Neste sentido, cita os regimes de Teerã e Coreia do Norte que “violaram suas obrigações de não-proliferação, desafiando o Conselho de Segurança da ONU” e resistindo aos esforços internacionais para resolver as crises pela via diplomática.
Pelo relatório, o “comportamento provocante” desses países “aumentou a instabilidade em suas regiões e poderia gerar pressões nos países vizinhos para instigar também a estes obterem armas nucleares”.
Os Estados Unidos, que receberá em Washington na próxima semana uma cúpula sobre segurança nuclear, procura convencer à Rússia e à China para a imposição de novas sanções contra o regime iraniano no seio do Conselho de Segurança da ONU.
Nos próximos dias, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, tem previstas entrevistas bilaterais com diversos líderes. Na quinta-feira, em Praga, será a vez de se encontrar com seu colega russo, Dmitri Medvedev – com o qual assinará um tratado de redução de armamento nuclear -, e na próxima semana em Washington com o líder chinês, Hu Jintao, com os quais abordará o programa nuclear iraniano.