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Entidades denunciam golpe eleitoral nos EUA que pode beneficiar Trump

Decisão derruba mapa eleitoral em distritos de maioria negra, abrindo espaço para manipulação favorável a republicanos e Donald Trump.

Redação Jornal de Brasília

01/05/2026 13h27

Foto: Mandel Ngan/AFP

Foto: Mandel Ngan/AFP

Entidades do movimento negro e de direitos civis nos Estados Unidos denunciaram uma decisão da Suprema Corte, de maioria conservadora, que derrubou o mapa eleitoral para o Congresso do estado de Louisiana. A medida, aprovada por seis votos contra três, considera que o mapeamento dos distritos se baseou excessivamente em critérios raciais, exigindo a modificação de dois distritos de maioria negra, o que pode alterar a composição partidária no parlamento estadual.

O presidente da Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor (NAACP), Derrick Johnson, classificou a decisão como um ‘golpe devastador’ para a Lei dos Direitos de Voto, afirmando que ela trai os eleitores negros, a América e a democracia. Já o reverendo Al Sharpton, presidente da National Action Network, disse que a corte ‘desmantelou’ o trabalho de Martin Luther King contra leis segregacionistas que limitavam o voto de negros, chamando-a de ‘bala no coração do movimento pelos direitos de voto’.

Em reação, o governador de Louisiana, Jeff Landry, cancelou as primárias partidárias previstas para 16 de maio, com o objetivo de alterar os mapas eleitorais antes das eleições. Analistas avaliam que a mudança pode favorecer os republicanos e o presidente Donald Trump, em um momento de perda de popularidade devido às consequências da guerra contra o Irã, ao permitir que estados redesenhem distritos de maioria negra e latina, que tendem a votar em democratas.

Trump celebrou a decisão publicamente, afirmando à imprensa que era ‘o tipo de decisão que eu gosto’, e agradeceu a Landry por levar o caso à Suprema Corte. Em uma rede social, o presidente encorajou o governador do Tennessee a mudar distritos para beneficiar republicanos, prevendo uma cadeira a mais e ajuda contra ‘democratas da esquerda radical’.

Lideranças democratas prometeram reagir para evitar perda de representação, alertando para o aprofundamento do gerrymandering, prática de alteração de limites de distritos para favorecer um partido. Exemplos recentes incluem mudanças no Texas, Missouri, Carolina do Norte, Ohio e Flórida, que beneficiam republicanos, enquanto na Califórnia, Utah e Virgínia favorecem democratas. Na Flórida, onde Kamala Harris obteve 43% dos votos, republicanos podem controlar 86% das cadeiras na Câmara.

A União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU) chamou a decisão de ‘vergonhosa’, afirmando que a Lei dos Direitos de Voto é a ‘espinha dorsal da democracia multirracial’. Alanah Odoms, diretora do ACLU de Louisiana, alertou que políticos contrários ao voto interpretarão a medida como sinal para novas restrições.

Nos EUA, as eleições para a Câmara dos Deputados seguem o modelo distrital majoritário, onde o vencedor leva todos os votos do distrito. O gerrymandering busca desenhar áreas com maioria favorável a uma visão política, como dividir populações negras em distritos onde se tornam minoria perante eleitores brancos e rurais.

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