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Em salão com armas proibidas, Trump defende direito às armas

No entanto, a plateia que foi ver Trump ao vivo precisou deixar as armas do lado de fora do salão onde ele discursou

Por FolhaPress 27/05/2022 8h12
Foto: Reuters

Rafael Balago
Washington, EUA

O ex-presidente Donald Trump fez um dos principais discursos do encontro anual da NRA, entidade do setor de armas de fogo dos EUA, nesta sexta (27). Ele defendeu o direito dos americanos de terem armas e ressaltou que a melhor forma de evitar novos massacres, como o ocorrido em Uvalde nesta semana, é reforçar o cuidado com saúde mental e as barreiras nas escolas.

No entanto, a plateia que foi ver Trump ao vivo precisou deixar as armas do lado de fora do salão onde ele discursou. A determinação foi feita pelo Serviço Secreto, que faz a proteção do ex-presidente e impede a entrada com armamentos, inclusive facas, em eventos onde ex-presidentes participem. Assim, foram colocados detectores de metal na entrada do local.

O ex-presidente pediu um minuto de silêncio pelas crianças mortas em Uvalde e leu os nomes das vítimas. Ele chamou o atirador de “lunático fora de controle” e criticou políticos e ativistas que pedem mudanças no acesso às armas.

“Testemunhamos um desfile familiar de políticos cínicos buscando explorar as lágrimas das famílias para aumentarem seu próprio poder e tomar nossos direitos constitucionais. Toda vez que uma pessoa perturbada comete um crime odioso, há um esforço grotesco de alguns da nossa sociedade para avançar sua própria agenda política extrema”, afirmou Trump.

Para ele, a saída para prevenir novos massacres é que famílias e educadores reforcem a atenção para detectar pessoas próximas com problemas emocionais. “Temos que mudar radicalmente nossa abordagem sobre saúde mental. Facilitar o confinamento dos violentos e com problemas mentais em instituições. E lidar com o problema das famílias partidas, porque nenhuma lei pode curar os efeitos de um lar partido. Não há substituto para uma mãe forte e um grande pai.”

O ex-presidente defendeu ainda que escolas reforcem a segurança, com medidas como ter apenas uma porta de entrada e saída, com detectores de metal, para evitar a entrada de pessoas armadas.

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O evento da NRA é realizado em Houston, no Texas, a cerca de 450 km de Uvalde, onde um atirador de 18 anos invadiu uma escola e matou 19 crianças de uma escola primária, na terça (24). O assassino usou um rifle que tinha comprado legalmente, dias após atingir a maioridade, e foi morto pela polícia.

A entidade, que manteve o encontro mesmo após apelos por um adiamento, considerou o ataque como um “ato de um criminoso isolado e problemático”. O governador do Texas, o republicano Greg Abbott, iria ao evento, mas desistiu e deve enviar um discurso em vídeo.

Outros republicanos, como Kristi Noem, governadora de Dakota do Sul, e Ted Cruz, senador pelo Texas também fizeram discursos inflamados em defesa das armas. Eles apontam que cidades onde há mais restrições, como Chicago, registram mais casos de violência do que em locais com acesso livre.

“Para citar o ex-presidente Ronald Reagan, devemos rejeitar a ideia de que cada vez que uma lei é violada, a sociedade é culpada, em vez de quem a violou”, defendeu Wayne LaPierre, presidente da NRA, em outro discurso.

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A NRA (Associação Nacional do Rifle) é a principal entidade de defesa das armas nos EUA, e faz lobby junto a políticos contra regulações no acesso às armas. A associação, no entanto, passa por um momento delicado, após por lutas internas na sua liderança e um processo judicial que acusa seus diretores de desviarem recursos.

O encontro anual da entidade, que não era realizado desde 2019, reúne discursos de políticos e celebridades, estandes de venda e exibição de novos produtos. O acesso é livre aos filiados da instituição, cuja anualidade custa a partir de US$ 35.

Do lado de fora, manifestantes protestaram por mais medidas de restrição, para impedir ou dificultar o acesso a armas pesadas. Beto O’Rourke, candidato democrata ao governo do Texas nas eleições de novembro, discursou para os ativistas. “A hora de termos parado Uvalde era logo depois de Sandy Hook”, disse, citando outro massacre de crianças em uma escola americana, em 2012. “A hora de parar o próximo ataque a tiros em massa neste país é aqui e agora.”

O porte de armas é garantido pela Constituição, mas muitos especialistas, ativistas e políticos defendem maior controle de acesso, como medidas para impedir que pessoas com problemas psicológicos ou histórico de violência tenham acesso a armamentos de alto calibre. No entanto, políticos ligados ao Partido Republicano costumam barrar medidas nesse sentido, pois veem o direito a se armar como um símbolo de liberdade a ser preservado.

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