Mais de 40 opositores ao Kremlin, o Parlamento da Rússia, foram detidos nesta sexta-feira (31) nas duas principais cidades do país, Moscou e São Petersburgo, por conta de um comício não autorizado em defesa do artigo 31 da Constituição russa, que garante a liberdade de reunião.
Cerca de 30 ativistas foram detidos na capital e outros 14 em São Petersburgo, segundo confirmou o Ministério do Interior.
Fiéis à chamada Estratégia 31, que consiste em convocar todos os dias 31 um comício em defesa do artigo da Carta Magna.
“Cerca de 30 pessoas foram detidas na Praça Triumfalnaya por realizar uma ação não autorizada”, assinalou um porta-voz do Interior.
Em Moscou, após deter um opositor que gritava “Vergonha”, os agentes prenderam um ativista do movimento “Frente de Esquerda”, que minutos antes de ser levado ao ônibus da Polícia falava com os meios de comunicação.
Pouco depois, as forças da ordem detiveram o criador da Estratégia 31, o escritor e líder da “Outra Rússia”, Eduard Limonov, e vários de seus seguidores.
Outro opositor foi detido após pular em um quiosque e abraçar uma bandeira da Estratégia 31.
Em São Petersburgo, os opositores foram presos por não acatar a ordem da Polícia de dissolver a concentração não autorizada pelas autoridades.
A veterana defensora dos direitos humanos, Liudmila Alexeyeva criticou a dissolução do comício no centro de Moscou. “Tenho certeza que, se saíssem com palavras a favor do regime, ninguém os deteria. Não importa o quanto o comportamento dos partidários da Estratégia 31 seja pacífico, eles os detêm de qualquer maneira. É a ordem política que cumpre a Polícia”, lamentou Alexeyeva.
Há dois anos, as autoridades municipais de Moscou mantêm a praça fechada com o pretexto de fazer escavações arqueológicas e trabalhar na construção de um estacionamento subterrâneo.