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Em julgamento, Duch diz que torturou e executou por ordens do Khmer Vermelho

Arquivo Geral

19/03/2012 11h18

O chefe torturador do Khmer Vermelho, Kaing Guek Eav, mais conhecido por seu nome revolucionário, Duch, declarou nesta segunda-feira no tribunal internacional que julga o genocídio cambojano que o grupo dirigido por Pol Pot lhe ordenou torturar e executar.

 

“Essa era a política do partido, considerar que os que entravam na região eram espiões, e me ordenaram que torturasse essas pessoas”, manifestou Duch, em referência aos anos de luta na selva antes da chegada ao poder.

 

O Khmer Vermelho, como a comunidade internacional conhece o Partido Comunista de Kampuchea, governou o Camboja de 1975 até 1979 e nesse período morreram 1,7 milhão de pessoas.

 

Este processo julga o número dois e ideólogo da organização, Nuon Chea, o chefe de Estado durante o regime, Khieu Samphan, e o ministro de Relações Exteriores, Ieng Sary, porque Pol Pot morreu em 1998.

 

Duch, que já foi julgado em 2010 e participa como testemunha de acusação contra seus antigos chefes, afirmou que a política do Khmer Vermelho incluía “explicitamente” as torturas e as execuções.

 

O antigo membro do khmer vermelho, que vestia a roupa azul dos réus cambojanos, disse que o comitê central do partido redigiu vários documentos que detalhavam a política de repressão a seguir nos centros de detenção.

 

Duch dirigiu o centro M13 antes da queda de Phnom Penh e depois, quando Pol Pot chegou ao poder, a prisão de Tuol Sleng ou S-21 na capital, por onde passaram entre 14 e 16 mil pessoas acusadas de traição.

 

A testemunha, que cumpre cadeia perpétua por seus crimes, detalhou que no M13 batiam nos prisioneiros e usavam técnicas de tortura como descargas elétricas, o “submarino” e as bolsas de plástico para asfixiar os detidos.

 

Duch disse que utilizaram as mesmas práticas na prisão S-21, onde contou com parte de sua equipe do M13. Durante a sessão matinal, Nuon Chea defendeu como “justo” o esvaziamento das cidades que foi ordenado para colocar em prática sua utopia socialista rural.

 

“Acho que deveria ter a ocasião de explicar (…) que a retirada da população de Phnom Penh foi justa e necessária, de acordo com o direito internacional”, afirmou o alto comando do regime.

 

No entanto, Nuon Chea se negou a responder às perguntas dos juízes até que o tribunal aceite as testemunhas que sua equipe legal propõe, que incluem oficiais militares americanos e personagens chave da política cambojana.

 

O julgamento do genocídio cambojano começou com Duch no banco dos réus e atualmente Nuon Chea, Khieu Samphan e Ieng Sary são julgados pelas deportações maciças das cidades ao campo, especialmente a retirada de dois milhões de habitantes de Phnom Penh, que causou entre 2 e 3 mil mortos.

 

Ieng Thirit, de 79 anos e esposa de Sary, também é acusada neste processo, mas foi inabilitada para continuar o julgamento por seu estado de saúde.

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