Pelo menos 59 pessoas morreram nesta sexta-feira em dois atentados contra mesquitas no noroeste do Paquistão, uma região frequentemente atacada por insurgentes.
O primeiro ataque ocorreu por volta das 14h do horário local (7h de Brasília), no vilarejo de Akhurwal, situado em Darra Adam Khel, quando um suicida detonou explosivos no interior de uma mesquita, o que causou a morte de pelo menos 56 pessoas e deixou cerca de cem feridos, informou à Agência Efe uma fonte policial.
A explosão aconteceu quando cerca de 500 fiéis estavam reunidos por conta da tradicional oração das sextas-feiras.
Segundo alguns analistas, líderes tribais dessa região tinham repreendido recentemente a insurgência talibã, que tem forte presença nas instáveis áreas tribais paquistanesas dos arredores, na fronteira com o Afeganistão.
A potente detonação derrubou parte do teto do templo e várias pessoas ficaram presas entre os escombros, segundo as redes de televisão paquistanesas.
Em comunicado, o primeiro-ministro Yousef Razá Guilani condenou “o brutal assassinato de inocentes”, que “mostra claramente que os insurgentes não têm respeito por nenhuma religião ou crença”, e afirmou que continuará lutando contra o terrorismo até “sua completa eliminação”.
A poucos quilômetros da principal cidade do noroeste paquistanês, Peshawar, capital da conturbada província de Khyber-Pakhtunkhwa, a região de Darra Adam Khel é famosa por abrigar um dos maiores mercados de armas da Ásia.
Horas depois da primeira ação, em torno das 19h30 locais (12h30 de Brasília), um grupo de homens armados atacou outra mesquita no bairro de Badaber, nos arredores de Peshawar.
Os agressores lançaram pelo menos três granadas de mão contra o templo, onde cerca de uma centena de pessoas estavam reunidas para as orações vespertinas. As explosões provocaram a morte de três fiéis e deixaram 24 pessoas feridas, segundo uma fonte policial citada pelo canal “Geo TV”.
O Exército paquistanês e outras equipes de segurança lançaram nos últimos meses diversas ofensivas contra os talibãs em várias áreas do noroeste e do cinturão tribal.
No entanto, insurgência tem orquestrado inúmeros atentados, que com frequência têm como foco locais de culto, considerados alvos fáceis por não contar com estritos dispositivos de segurança.
Uma fonte das corporações de segurança ocidentais relatou nesta sexta-feira à Efe que a cúpula atual do movimento Tehrik-e-Taliban Pakistan (TTP), que reúne diferentes facções talibãs paquistanesas, “tem uma agenda muito sectária”.
“Para o TTP, este tipo de ataque representa um objetivo estratégico. A cúpula tem uma agenda muito sectária que inclui atacar todos aqueles que saiam da ortodoxia sunita, defendida por eles”, revelou.
A fonte opinou que, embora continue havendo uma extensa e ativa rede insurgente em todo o país, a vulnerabilidade dos alvos escolhidos recentemente demonstra que sua capacidade operacional está reduzida.
Para consolidar sua presença nas regiões de conflito, as autoridades paquistanesas fomentaram a criação de comitês de paz e milícias locais integradas por civis.
Mais de 12 mil pessoas morreram em 2009 por ações violentas no país, um quarto delas em ataques terroristas, segundo um relatório do Instituto do Paquistão para Estudos de Paz.