A queda de braço entre o Governo francês e os sindicatos por conta da reforma da previdência ganha força hoje com a greve das 12 refinarias do país, que ameaça gerar escassez de combustível.
Desde esta manhã todas as refinarias da França estão em greve, pois aderiram ao movimento as da Esso, na Normandia, e a de Reichstett, na Alsácia. Segundo a Confederação Geral do Trabalho (CGT) esta situação só é comparável à que ocorreu durante as revoltas de maio de 1968.
A inquietação gerada pela paralisação do setor petroleiro ficou evidente com a decisão do Palácio do Eliseu, que esta manhã ordenou às forças de ordem que desbloqueasse três grandes depósitos de combustível nas regiões de Marselha, Bordeaux e Clermont Ferrand, onde os grevistas impediam a saída de caminhões.
Ontem, o Governo havia assegurado que não existiriam problemas de escassez de combustível, mas ao mesmo tempo autorizou as transportadoras a recorrerem às reservas das petrolíferas para o abastecimento.
Em resposta, o principal sindicato do setor, a Confederação Francesa de Trabalhadores (CFDT) fez um chamado para que sejam organizados bloqueios de estradas e “operações caracol”, que interrompem o trânsito nos principais eixos viários.
Hoje, os estudantes são novamente outra grande frente de protesto, enquanto segue a tramitação no Senado do projeto de lei sobre a previdência, que eleva de 60 para 62 anos a idade de aposentadoria voluntária e de 65 para 67 a idade para ter direito a uma pensão completa.
Esta manhã um jovem ficou ferido em Brest (noroeste), enquanto continuava a polêmica pelas circunstâncias em que outro, de 16 anos, teve o rosto completamente deformado ontem em Montreuil, nos arredores de Paris, após ter sido atingido por um projétil lançado pela Polícia.
Nesta manhã houve passeatas de jovens em diferentes cidades da França e os sindicatos devem organizar uma nova greve para a próxima terça-feira, às vésperas da data prevista para o voto definitivo do projeto de lei no Senado.