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Democratas mandam colocar até camas no Senado para votar retirada do Iraque

Arquivo Geral

17/07/2007 0h00

A maioria democrata no Senado americano forçará hoje um debate prolongado de sua moção para que, medications em 120 dias, os Estados Unidos iniciem a retirada de suas tropas do Iraque. O chefe da bancada democrata na casa, Harry Reid, eleito pelo estado de Nevada, já ordenou a colocação de camas em um salão anexo ao plenário do Senado para que os legisladores descansem enquanto durarem as discussões do projeto, que prevê a saída de quase todas as tropas americanas do país árabe até 30 de abril de 2008.

Os democratas sabem que contam com votos suficientes para a aprovação da moção, mas não os 60 necessários para que o texto torne-se imune ao veto do presidente George W. Bush, que já reiterou que manterá seus planos de enviar mais 30.000 soldados ao Iraque.

O governante já disse que vai aguardar até que o general David Petraeus, responsável pelos quase 160.000 soldados americanos em solo iraquiano, apresente, em setembro, seu relatório sobre os resultados desse reforço, cujo objetivo é facilitar o trabalho do Governo do primeiro-ministro do Iraque, Nouri al-Maliki.

Para impedir a votação do projeto que prevê a retirada militar, os republicanos têm recorrido a várias manobras. Porém, ontem, o chefe da minoria republicana no Senado, Richard Durbin (Illinois), disse que “chegou a hora de dar a cara”.

A proposta dos legisladores governistas, que sabem que os democratas não têm os 60 votos para garantir a sanção da emenda, é que o texto seja votado imediatamente, sem debate. Considerando que pelo menos 21 senadores republicanos devem tentar se reeleger e que vários deles disputarão a candidatura do partido à Presidência americana, os democratas esperam aproveitar as divisões dentro da legenda do presidente Bush.

Dois senadores republicanos, John Warner, da Virgínia, e Richard Lugar, de Indiana, já propuseram uma medida alternativa para a redução da presença militar americana no Iraque, embora esta não estabeleça prazos para esses cortes ou para uma retirada total.

Tal iniciativa prevê uma emenda no texto que atribui fundos para despesas militares. De acordo com um estudo do Serviço de Investigação do Congresso, desde setembro de 2001, o Pentágono gastou US$ 610 bilhões nas guerras no Afeganistão e no Iraque.

Entre outubro e maio passados, o Pentágono gastou aproximadamente US$ 10 bilhões por mês no Iraque e quase US$ 2 bilhões na campanha no Afeganistão. De acordo com os planos de Reid, a sessão no Senado teria início às 16h (de Brasília). Meia hora depois, camas começariam a ser colocadas em um salão ao lado do plenário.

Às 19h (de Brasília), será servido o jantar para os legisladores em seus gabinetes. Três horas e meia depois, começarão os debates de vários projetos. Se não houver quórum para as votações, a mesa pode mandar o sargento da Polícia do Congresso buscar os ausentes, ainda que para isso tenha que detê-los e levá-los à sala.

Amanhã, acontecerá a primeira votação sobre a apreciação do emenda. Porém, fontes do Partido Democrata já disseram que o texto não avançará nesse primeiro momento, razão pela qual o debate deverá se estender por 48 horas.

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