O regime do presidente sírio, Bashar Al Assad, continuou atacando nesta terça-feira os redutos opositores no país e lutando contra os rebeldes em Damasco e Alepo, em meio à polêmica levantada pelo possível uso de armas químicas. Mais de 70 pessoas morreram hoje na Síria durante a ofensiva das tropas governamentais para recuperar o controle das fortificações da resistência, de acordo com a oposição.
Os combates entre as forças leais ao regime e os rebeldes do Exército Livre Sírio (ELS) estão concentrados em várias áreas de Damasco e Alepo, e em seus arredores. Alepo, a segunda maior cidade e segundo centro econômico do país, foi especialmente castigada com bombardeios de artilharia e helicópteros, enquanto os enfrentamentos aconteceram em bairros como os de Al Sukari e Salah ad-Din.Em declaração à Agência Efe, o coordenador da rede opositora Sham em Alepo, Majid Abdulnur, afirmou que os bombardeios caíram também sobre os bairros de Al Idaa e Bustan al Qasr, assim como nas fronteiras ao norte e a oeste da cidade.
Entre sete e 13 pessoas morreram, além disso, em um motim na Prisão Central de Alepo, segundo fontes opositoras, que relataram que os guardas da prisão abriram fogo e lançaram gás lacrimogêneo para reprimir o protesto dos detentos. Assim como nos dias anteriores, a capital síria também não escapou dos enfrentamentos e bombardeios, que se intensificaram nos últimos dias. Vários projéteis caíram hoje na região de Hayar al Asuad, junto ao campo de refugiados palestinos de Yarmouk, onde os soldados governamentais enfrentaram o ELS, segundo os opositores.
Além disso, as tropas leais ao regime de Assad entraram nos bairros de Al Qadam e Al Asali para reprimir o movimento insurgente. Os bairros também sofreram intensos bombardeios, como os registrados nas províncias de Hama, Homs, Idleb, Latakia e Deraa. Essas informações não puderam ser confirmadas de forma independente pelas restrições impostas pelas autoridades sírias ao trabalho dos jornalistas.
Por sua vez, o ELS acusou hoje o regime de levar as armas químicas que tem em seu poder para os aeroportos das fronteiras. Segundo um comunicado do Comando Misto do ELS dentro da Síria, o regime vem há meses realocando os armazéns de armas de destruição em massa em sua tentativa de “criar uma crise regional e planejar uma defesa estratégica atemorizando os países vizinhos”.
O porta-voz de Relações Exteriores sírio, Jihad Maqdisi, admitiu ontem a existência de armas químicas no país e condicionou seu uso a uma eventual intervenção estrangeira. “Essas armas estão vigiadas e armazenadas, e não serão usadas, a menos que a Síria se exponha a uma agressão externa”, acrescentou o porta-voz oficial, que negou qualquer ataque químico no interior do país. Maqdisi se mostrou contrário à última proposta da Liga Árabe, que propôs a renúncia de Assad em troca da garantia de que ele e sua família teriam uma “saída segura” da Síria.
O futuro do país após uma eventual queda do regime é a maior preocupação da oposição, como o Conselho Nacional Sírio (CNS), o principal grupo opositor no exílio. O representante do CNS na Europa, Munzer Mahos, descartou hoje na Rússia a possibilidade de criar um governo de transição no país árabe dirigido por uma figura do atual regime em troca da saída de Assad. Mahos destacou, ainda, que o CNS “está disposto ao diálogo apenas com figuras liadas ao atual regime que não tenham participado do terror contra o povo sírio”.