O movimento conservador “Tea Party” confirmou hoje que segue ganhando terreno nos Estados Unidos ao anunciar uma nova contribuição “anônima” de US$ 1 milhão que será destinada a mobilizar eleitores para as eleições legislativas de novembro.
Os EUA renovam, no final de ano, aproximadamente um terço do Senado, toda a Câmara e 37 dos 50 governadores estaduais, em uma eleição que deve ser apertada e na qual o “Tea Party” pode ter um importante papel.
Uma enquete divulgada na segunda-feira pelo instituto Gallup mostra um empate virtual no pleito de novembro, com 46% dos entrevistados a favor dos democratas, que têm a maioria no Congresso, e 45% dos republicanos.
Porta-vozes do “Tea Party Patriots”, o maior grupo dentro do movimento popular, disseram hoje que os esforços serão redobrados para que esse equilíbrio seja rompido a favor da direita mais conservadora do país.
Apesar de sua proximidade com os republicanos, Jenny Beth Martin, porta-voz do “Tea Party Patriots”, insistiu hoje em entrevista coletiva, em Washington, que o grupo não respaldará os republicanos que não estejam comprometidos com a disciplina fiscal.
“A despesa neste país está fora de controle”, afirmou Jenny, que qualificou de “inaceitável” o esbanjamento dos últimos anos do Governo de George W. Bush.
A porta-voz lembrou que os “valores centrais” do grupo são a responsabilidade fiscal, o respaldo ao livre mercado e a pouca ingerência do Governo na economia.
O anúncio do grupo chega após importantes vitórias de candidatos próximos ao movimento nas recentes eleições primárias em Delaware e Alasca.
“As pessoas estão começando a perceber que o ‘Tea Party’ é uma poderosa máquina de mobilização de eleitores”, disse Matt Kibbe, presidente do Freedom Works, em declarações publicadas hoje pelo jornal “Washington Post”.
“Estão nos levando cada vez mais a sério. Não há nada como ser capaz de arrecadar votos em uma eleição importante”, acrescentou Kibbe que sustenta que o movimento conta com os grupos políticos mais enérgicos do país.
O apoio do “Tea Party” coincide com um crescente fluxo de fundos para os cofres republicanos.
O comitê de ação política (PAC, na sigla em inglês) das grandes empresas do país começaram a dar a maior parte do dinheiro a candidatos republicanos revertendo a tendência dos três últimos anos.
O jornal “The Wall Street Journal” menciona hoje que essa mudança de tendência torna provável que os republicanos consigam “lucros significativos” em novembro.
Segundo dados do Center for Responsive Politics, os PAC deram 52% de suas doações de US$ 72,2 milhões a candidatos republicanos entre janeiro e julho.
No mesmo período de 2009, esses comitês tinham dado 59% de seus US$ 64 milhões em contribuições aos democratas.
Os PAC começaram a se inclinar para o lado democrata no final de 2006, quando ficou claro que o movimento teria o controle do Congresso. A tendência se manteve durante os últimos três anos.
Outros dois grupos próximos aos republicanos, American Crossroads e Crossroads GPS, criados por Karl Rove, principal assessor político durante o Governo Bush, e Ed Gillespie, outro assessor político, já arrecadaram US$ 32 milhões este ano.
Esses grupos, da mesma forma que o doador anônimo do “Tea Party Patriots”, se beneficiam de uma falha judicial que permite que as grandes empresas façam contribuições, sem limites, às campanhas eleitorais.
O “Tea Party”, que se originou como um movimento de protesto contra a classe política no início de 2009, cresceu impulsionado majoritariamente por grupos de base e por trabalhos voluntários, mas carece de uma estrutura centralizada.
A ex-candidata à Vice-Presidência dos EUA e ex-governadora do Alasca, Sarah Palin, é o rosto mais conhecido do movimento.