Um conselho de líderes tribais paquistaneses anunciou hoje um cessar-fogo para a região de Kurram, ask na fronteira com o Afeganistão, onde nos últimos dois meses mais de 500 pessoas morreram em combates entre grupos rivais.
Segundo o canal “Geo TV”, o acordo foi firmado após três dias de negociações em Islamabad entre 30 representantes das tribos tori e bangash, que pertencem aos braços xiita e sunita do Islã e que desde o início de agosto mantiveram duros confrontos.
As duas partes se comprometeram a abandonar seus campos de combate na zona de conflito e a punir com uma multa de 20 milhões de rúpias (US$ 415 mil) quem violar o acordo.
Além disso, a assembléia tribal, denominada jirga, deu seu sinal verde às administrações locais para que matem aqueles que se negarem a deixar suas posições de combate, disse a “Geo TV”.
O conflito religioso em Kurram remonta ao final dos anos 70, quando as tribos pertencentes à maioria xiita de Kurram reivindicaram a autonomia.
O general Zia-ul-Haq, então no poder (1977-1988), realizou um processo de islamização no Paquistão de corte sunita – corrente majoritária no país – e promoveu o repovoamento do distrito para equilibrar a grande presença xiita.
Segundo cálculos da imprensa local, nos últimos dois anos e meio, morreram 1.600 pessoas em Kurram por causa dos combates entre as comunidades.
Nas últimas semanas, a tribo xiita tori tinha pedido ao Governo que intermediasse para resolver o conflito, já que fundamentalistas de outros pontos estavam ajudando a tribo bangash. No entanto, o Exército não realizou nenhuma operação na região.
Já representantes da tribo bangash denunciaram que pelo menos 28 localidades de maioria sunita foram saqueadas e destruídas, o que foi negado pelos xiitas.
O cinto tribal na fronteira com o Afeganistão é palco de constantes episódios de violência como combates entre tribos ou confrontos entre os grupos fundamentalistas e as forças de segurança.