Mais de 20 pessoas morreram no domingo em um confronto no presídio Yare I, ao sul de Caracas, informou nesta segunda-feira a ministra de Serviços Penitenciários da Venezuela, Iris Varela.
“Passa de 20 (o número de mortos). Até o momento, o que temos é esse número como oficial”, afirmou Iris em entrevista à rede estatal de televisão “VTV”.
Varela explicou que “ontem houve um confronto entre integrantes de dois grupos que estão fortemente armados dentro do penal”. “Hoje a situação é de calma, como se não tivesse acontecido nada”, acrescentou.
A ministra lamentou que haja “uma violência que quer manter o controle” das prisões, e ressaltou que a situação é “verdadeiramente complexa”. “Todos sabemos que as prisões são uma bomba-relógio”, disse.
Iris declarou que o governo assume “a responsabilidade que lhe cabe”, mas rejeitou as críticas da oposição porque, segundo ela, nas delegacias que estão sob seu controle a situação é similar.
“Não há condições morais para que essas pessoas saiam a atacar por um problema que nós reconhecemos que ocorre. Estamos fazendo todos os esforços do mundo, e o povo venezuelano o sabe, para solucionar esse problema, que é um problema estrutural”, afirmou.
O sistema penitenciário da Venezuela está imerso em uma profunda situação de crise, e são frequentes os episódios de confrontos que terminam com mortos nas prisões.
O governo admitiu que tem um “grave problema” para controlar as prisões devido à entrada de armas, embora alegue que está tentando reestruturar o sistema carcerário.
Segundo a ONG Observatório Venezuelano de Prisões (OVP), durante o primeiro semestre do ano foram registradas 304 mortes nas penitenciárias do país, um aumento de 15% em relação ao mesmo período de 2011