O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, foi denunciado nesta segunda-feira (21) no Tribunal Penal Internacional (TPI) por crimes contra a humanidade por um dos seis aspirantes a candidato nas eleições presidenciais do próximo ano no país.
O ex-embaixador venezuelano na Organização das Nações Unidas (ONU), Diego Arria, disse à rede de televisão “Globovisión” que apresentou a acusação ao promotor principal do TPI, Luis Moreno Ocampo, na sede da organização em Haia, e que depois deve entregá-la à Sala de Julgamentos Preliminares, onde será decidido se ela é pertinente ou não. Arria explicou por telefone à “Globovisión” que esteve preparando a denúncia por mais de um ano e meio.
“Há uma lista de ações realmente terríveis, das brutalidades cometidas contra milhares de venezuelanos, que vão de assassinatos a deslocamentos forçados e eliminação da propriedade, como parte de uma política sistemática generalizada de Estado de violar os direitos humanos e realmente cometer crimes contra a humanidade”, ressaltou o opositor.
Perguntado pela “Globovisión” pelas identidades das “milhares” de vítimas que disse representar, Arria respondeu que os nomes não podem ser revelados até que o promotor determine avançar no processo, e também se recusou a revelá-los por temer retaliações.
Em um debate transmitido pela TV entre os seis pré-candidatos da MUD em 14 de novembro, Arria, que tem uma das mais baixas intenções de voto segundo as pesquisas, disse que o final de todos os que abusam de seus povos é a cidade chamada Haia, sede do TPI.
O pré-candidato lembrou nesta segunda que, como representante da Venezuela na ONU durante governos anteriores ao de Chávez, participou da investigação de crimes contra a humanidade cometidos na Bósnia, Iugoslávia, Somália e Ruanda.
“A comunidade internacional demorou a agir, e o número de mortos foi enorme justamente por não ter se tomado uma atitude a tempo”, destacou.
Arria acrescentou que a denúncia não é contra a instituição da Presidência, nem contra o chefe de Estado, mas pessoal contra Chávez, e pediu à comunidade internacional que detenha as ações criminosas, entre as quais incluiu as 155 mil vítimas da quadrilha que atuava nos primeiros dez anos de sua gestão, o que foi reconhecido pelo próprio governante em janeiro.
O político não aparece nas pesquisas entre os favoritos para ganhar a representação da aliança Mesa da Unidade Democrática (MUD), da oposição, que em 12 de fevereiro do próximo ano realizará eleições primárias para definir quem concorrerá com Chávez nas eleições de 7 de outubro para o período 2013-2019.