A França voltou a decapitar hoje a cúpula do ETA (Pátria Basca e Liberdade), em uma operação na cidade de Bayona que até agora resultou na prisão de Mikel Carrera Sarobe, conhecido como “Ata” e considerado o chefe do grupo, e de seu “número dois” Arkaitz Agirregabiria além de outros dois supostos “etarras”.
Fontes da investigação confirmaram à Agência Efe que “Ata” era o suposto “número um” do grupo há alguns meses e que Agirregabiria estava sendo procurado como membro do comando “etarra” que protagonizou um tiroteio com a Polícia francesa nos arredores de Paris no começo de março, quando um agente francês morreu, a última vítima do ETA.
Maite Aranalde Ijurco também foi presa na cidade francesa de Bayona, enquanto o suposto colaborador do grupo Benoit Aramendi e uma mulher, Laettitia Chevalier, foram detidos em uma população próxima durante a mesma operação.
“Ata” – o sexto chefe do ETA capturado nos últimos dois anos -, Agirregabiria e Ijurco estavam armados quando as forças de segurança entraram no imóvel.
Os agentes continuam investigando a casa e as fontes precisaram que no imóvel já foram encontrados além das armas, uma grande quantidade de documentos e material informático.
Os especialistas na luta antiterrorista consideram Sarobe um dos “duros” da organização, muito vinculado a Garikoitz Aspiazu Txeroki+ até sua prisão em novembro de 2008.
Nascido em Pamplona no dia 30 de maio de 1972, ele fugiu sem motivo aparente em 2003 e, até então, as forças de segurança o relacionavam com o assassinato do dirigente do Partido Popular, Manuel Giménez Abad, em maio de 2001, do guarda civil Juan Carlos Beiro em setembro de 2002 e a morte de dois policiais em Sangüesa (Navarra) em maio de 2003.
A pista mais recente apareceu em janeiro deste mesmo ano, após o aluguel – com documentos falsos – de uma caminhonete na qual os “etarras” transferiam explosivos da França para Portugal.
Por isso que se refere a Arkaitz Agirregabiria del Barrio, de 27 anos, e sua foto figura nos cartazes dos terroristas mais procurados. Por enquanto ele é o único identificado pelas forças de segurança entre os “etarras” que participaram do assassinato do policial francês Jean-Serge Nérin.
Ijurco tinha uma ordem de prisão ditada pela justiça espanhola em setembro do ano passado. Ela já tinha sido presa em 2005 em Montpellier (sudeste da França) e condenada em 2008 por um tribunal de Paris a seis anos de prisão por associação de malfeitores com fins terroristas.
Uma vez concluída a vistoria do apartamento ocupado pelos supostos terroristas, eles serão levados a dependências policiais em Bayonne para serem interrogados antes de ficarem à disposição judicial em Paris.
Sua mudança para a capital francesa deve ocorrer no máximo até a madrugada da segunda-feira, quando completam 96 horas de detenção, prazo máximo de quatro dias para que os presos em casos de terrorismo fiquem em mãos da Polícia.
A operação de hoje acontece exatamente dois anos desde a prisão, no dia 20 de maio de 2008 em Bordeaux (sudoeste francês), de Francisco Javier López Peña, “Thierry”, o número um da ETA na época.
Desde então, as forças de segurança prenderam os sucessivos chefes militares do grupo: Mikel Garikoitz Aspiazu “Txeroki” (novembro de 2008), Aitzol Iriondo (dezembro de 2008), Jurdan Martitegi (abril de 2009), Ibon Gogeascoetxea (março de 2010) e Mikel Kabikoitz Carrera Sarobe (hoje).