O presidente do Parlamento do Paraguai, Jorge Oviedo Matto, afirmou nesta quinta-feira que contatos de um irmão do presidente venezuelano, Hugo Chávez, teriam oferecido dinheiro para estimular o Senado paraguaio a ratificar a entrada da Venezuela no Mercosul. Matto respondeu assim à afirmação de Chávez de que os legisladores paraguaios “queriam dinheiro” em troca de aprovar a entrada da Venezuela no bloco regional.
A entrada da Venezuela foi definida nesta terça-feira sem o aval do legislativo do Paraguai, suspenso do bloco em junho pelos membros Brasil, Argentina e Uruguai, que alegaram que a destituição de Fernando Lugo da Presidência paraguaia foi um golpe de Estado parlamentar. “Comigo (Chávez) nunca falou, enviou emissários através de um irmão dele – acho que ele tem um irmão – oferecendo dinheiro. Ele é o que oferecia o dinheiro e utilizava a parlamentares para tentar mudar nossos votos”, denunciou o titular do Parlamento em entrevista à rádio Primero de Marzo.
O que “posso dizer é que Chávez mandava dinheiro através de alguns parlamentares, isso é indiscutível”, insistiu. Tanto a entrada da Venezuela,estipulada em 2006 e aprovada pelos legislativos de Brasil, Argentina e Uruguai, quanto o Protocolo Ushuaia II, de dezembro de 2011, estão pendentes de ratificação por parte do Legislativo do Paraguai. As declarações de Oviedo surgem no mesmo dia em que o Senado decidiu em sua sessão semanal analisar, no dia 9, esse pedido de adesão e o protocolo em questão apresentado pelo Poder Executivo a pedido dos parlamentares.
O presidente do Paraguai, Federico Franco, enviou o pedido de entrada na terça-feira, mesmo dia em que os demais membros do Mercosul, à revelia das autoridades do Paraguai, oficializaram a integração da Venezuela ao bloco regional em uma reunião extraordinária realizada em Brasília. Essa incorporação plena foi estipulada e anunciada pelos líderes dos países em atividade no bloco, em uma reunião anterior realizada em 29 de junho, durante a que também se aprovou a suspensão temporária do Paraguai.