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Chávez diz que "quem não é chavista não é venezuelano" e preocupa opositores

Arquivo Geral

27/06/2012 16h52

A frase “quem não é chavista não é venezuelano”, dita pelo presidente Hugo Chávez no domingo em um ato militar, “é extremamente grave e constitui uma incitação ao ódio e à agressão”, declarou nesta quarta-feira (27) a aliança opositora da Venezuela, MUD.

 

“Não há desculpa que justifique a gravidade de tais palavras”, disse a Mesa da Unidade Democrática (MUD) em comunicado que condena a frase dita por Chávez a milhares de soldados no 191º aniversário de uma batalha pela independência do país.

 

O fato de Chávez se expressar assim “em um ato militar… à Força Armada Nacional Bolivariana (Fanb), aumenta a gravidade” do assunto, acrescentou a MUD, que questionou: “O que ele sugere? Que a Fanb deve ignorar uma opção que não seja ‘chavista’? Agredir o povo que não se identifica com o governo?”.

 

A MUD realizou em fevereiro eleições primárias das quais Henrique Capriles saiu como o candidato único da aliança de partidos opositores para tentar impedir o presidente de ser novamente reeleito na votação presidencial de 7 de outubro.

 

A bancada opositora da Assembleia Nacional (Parlamento) apresentou ontem um acordo de condenação ao pronunciamento do chefe de Estado, mas o deputado Williams Fariñas, em nome do bloco de maioria chavista, rechaçou e acusou “a rançosa direita” de pretender “manchar” a Fanb.

 

“A Fanb é chavista, e nos sentimos orgulhosos disso porque o chavismo é do povo venezuelano”, ressaltou Fariñas.

 

A MUD, por sua vez, fez referência às eleições regionais do ano retrasado e acrescentou que a “vergonhosa expressão” de Chávez “ofende não só 52% do país que votou pela alternativa democrática em 26 de setembro de 2010, que é a maioria, mas todo o país”.

 

“O presidente – prosseguiu – pisa em terreno perigoso com uma expressão que já dá a volta ao mundo e o coloca no nível de um ditador, já que parece querer encerrar sua carreira política como um. Além disso, quer legitimar um ‘apartheid’ e que os militares sejam os fiadores de uma hegemonia excludente e discriminatória”.

 

A MUD, conclui o comunicado, “convida o país a uma reflexão diante de tão grave manifestação” e convida civis e militares “a mostrarem sua rejeição à declaração do presidente em 24 de junho, a rejeitar a chantagem de quem já tem o ‘rei na barriga’, e quer ocultar seu fracasso incitando o ódio e a violência”.

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