O governo do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, reagiu hoje (26) às ameaças dos Estados Unidos de a comunidade internacional adotar sanções contra os iranianos em decorrência da suspeita de fabricação de armas nucleares. Para os iranianos, a adoção de sanções não é a linguagem adequada para o diálogo. O assunto foi tema de uma reunião hoje entre os ministros das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, e do Irã, Majlis Ali Larijani.
As informações são da agência oficial de notícias do Irã, a Irna. “A linguagem de sanções e resoluções não é a apropriada para o diálogo e a interação com a República do Irã”, afirmou o chanceler iraniano. Segundo ele, o aumento da pressão não afetará a condução do programa nuclear iraniano.
Segundo Larijani, o fornecimento de combustível para o reator de investigação médica de Teerã é um assunto simples. Porém, de acordo com ele, “as grandes potências tentam complicar para se beneficiar”. O chanceler afirmou também que o governo Ahmadinejad está disposto a conversar sobre o tema.
O chanceler iraniano comemorou as intenções do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de ampliar os laços entre o Irã e o Brasil visando à cooperação e convergência em temas internacionais. Em entrevista coletiva, Amorim reiterou a posição brasileira em defesa do direito do governo iraniano de desenvolver seu programa nuclear.
“A única solução para a questão nuclear do Irã é por meio do diálogo e das negociações”, afirmou Amorim, depois da série de reuniões realizadas hoje em Teerã. “As sanções são um movimento negativo que não produzirão algo específico”, disse ele, de acordo com a Irna.
Na semana passada, Lula definiu como estratégia a visita de Amorim à Turquia, à Rússia e ao Irã. No próximo dia 15, o presidente irá a Teerã. Porém, ele considera fundamental manter antecipadamente uma série de reuniões diplomáticas em favor de negociações que impeçam a imposição de sanções ao Irã por causa de seu programa nuclear.
Nos últimos dias aumentou a pressão capitaneada pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para aprovar por meio do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) sanções contra o Irã. Para os norte-americanos, o programa nuclear iraniano mantém de forma secreta a fabricação de armas atômicas. O presidente Ahmadinejad nega as suspeitas.
Além dos Estados Unidos, a pressão conta com o apoio da Inglaterra, França e Alemanha. A Rússia indicou ser favorável ao que chamou de sanções inteligentes. A China resiste às sanções. Os cinco países são membros permanentes do conselho e têm direito a voto. A expectativa é que as discussões no órgão ocorram em maio.