Cerca de 6 mil detentos de quatro prisões da Venezuela iniciaram coordenadamente nesta segunda-feira uma greve de fome em protesto contra a violação de seus direitos, informou hoje a imprensa local.
Além dos presos, 230 familiares deles participam da manifestação contra a situação dos presos na Venezuela.
O protesto em massa é divulgado hoje por diversos meios de comunicação do país, que foram contatados pelos presos por telefone. As autoridades ainda não se pronunciaram a respeito.
Segundo os jornais e emissoras locais, a greve de fome começou de forma sincronizada ontem de manhã em três prisões de Caracas e em uma do estado de Guárico (centro-norte do país).
O chamado “atraso processual” é apontado como uma das principais causas do protesto, informaram os líderes e organizadores do movimento.
Nenhum deles quis se identificar. Todos reivindicam artigos constitucionais referentes a diversos direitos que, segundo eles, são descumpridos.
Entre os artigos mais citados, estão os seguintes: “Toda pessoa tem direito ao acesso aos órgãos de administração de justiça”; e “O devido processo se aplicará a todas as ações judiciais e administrativas para fazer valer direitos e interesses” dos presos.
O diário “Últimas Notícias” disse que os presos que se comunicaram com a redação do jornal também denunciaram “a falta de unidades de transporte em nível nacional para garantir o deslocamento dos detentos aos tribunais”.
Anabel Hernández, familiar de um dos presidiários em greve na prisão de Guárico, disse à emissora “Unión Radio” que os presos do local rejeitam as recentes declarações do governador desse estado, Willian Lara, que disse que os problemas ali “são motivados por grupos de internos que brigam entre si”.
O Observatório Venezuelano de Prisões (OVP), uma ONG que monitora a situação dos presos no país, ressaltou que, entre janeiro e fevereiro, morreram 61 presos nas prisões da Venezuela.
Isto “confirma a tendência de pelo menos um morto por dia” nas prisões venezuelanas, o que as situam entre as mais perigosas da América Latina, acrescentou Humberto Prado, diretor da OVP.